O risco da 'canetada': Paulo Gala alerta para perigos de cortar Selic na marra
O economista Paulo Gala analisa a proposta de André Lara Resende para reduzir os juros e alerta sobre possíveis impactos cambiais e inflacionários.

Foto: Paulo Gala Crédito: Paulo Victor Lago · Original e licença
O debate sobre a política monetária brasileira ganhou um novo contorno com as críticas do economista e professor da FGV, Paulo Gala, à proposta do ex-diretor do Banco Central, André Lara Resende. A ideia central de Lara Resende é promover uma redução drástica da taxa Selic, derrubando-a dos atuais 14% para cerca de 7% ao ano.
Embora concorde com o diagnóstico de que os juros elevados asfixiam a economia e drenam recursos que poderiam ser investidos no desenvolvimento nacional, Gala adverte que o método proposto pode ser perigoso. Para o professor, uma redução artificial e abrupta da taxa básica de juros sem a devida cautela pode desencadear uma crise cambial e inflacionária, cenário que ele compara a instabilidades observadas em países vizinhos.
O cerne da questão, segundo Gala, é o custo da dívida pública, que consome cerca de R$ 1 trilhão por ano, valor muito superior aos déficits primários. No entanto, o economista ressalta que o governo depende da rolagem voluntária de R$ 5 trilhões em títulos que vencem no curto prazo. Ele argumenta que, se o mercado perceber um corte artificial de juros que não condiz com o risco, a fuga de capitais seria imediata.
Gala defende que a solução para o custo do dinheiro não passa por choques ultraliberais ou cortes drásticos em investimentos sociais, mas sim por uma estratégia de moderação fiscal. O economista reforça que o objetivo é buscar soberania econômica sem ignorar as forças do mercado, evitando que uma tentativa de alívio fiscal se transforme em um descontrole que prejudique justamente a população mais vulnerável.
Em resumo
- Paulo Gala critica a proposta de reduzir a Selic pela metade de forma imediata.
- O economista alerta que o corte abrupto pode gerar fuga de capitais e desvalorização cambial.
- A dívida pública brasileira enfrenta pressão devido ao custo de R$ 1 trilhão anual em juros.
- Gala defende uma transição para juros menores baseada em moderação e inteligência estratégica.
Fonte: Brasil 247

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