Política · Economia

Economista aponta que política de juros do Banco Central favorece rentistas

Paulo Nogueira Batista Jr. critica a atual taxa Selic, defende mudanças na governança econômica e alerta para o impacto dos juros na dívida pública.

Foto: Crédito: Brasil247 | Washington Costa / Ministério da Fazenda · Original e licença

A política monetária conduzida pelo Banco Central voltou a ser alvo de críticas contundentes. Em entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247, o economista Paulo Nogueira Batista Júnior, ex-diretor executivo no FMI e ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, afirmou que a atual calibragem dos juros no Brasil ignora a realidade inflacionária e atua como um mecanismo de concentração de renda.

Para o especialista, a autoridade monetária mantém o país como um "paraíso dos rentistas". Ele exemplificou que um investidor com R$ 30 milhões aplicados consegue obter um rendimento líquido mensal de R$ 170 mil sem tocar no patrimônio, o que, segundo ele, desestimula investimentos produtivos na indústria e na infraestrutura. O economista argumenta que, com a inflação na casa dos 4%, a taxa Selic poderia situar-se entre 9% e 10%, patamar que considerou "perfeitamente confortável" para conter a demanda sem asfixiar a economia.

Nogueira Batista Jr. também contestou a tese de que o equilíbrio fiscal depende exclusivamente de cortes em gastos sociais. Para ele, o verdadeiro peso nas contas públicas reside na despesa com juros, que, ao serem mantidos em níveis elevados, deprimem a atividade econômica e empurram o país para a recessão. O economista alinhou-se ao diagnóstico de André Lara Resende, que questiona o dogma de que juros altos são a única ferramenta eficaz contra a inflação.

Como alternativa para ampliar o debate econômico no governo, o economista sugeriu a criação de uma assessoria econômica especial no Palácio do Planalto, inspirada no modelo da assessoria internacional de Celso Amorim. A ideia é que o presidente Lula tenha interlocutores capazes de oferecer um contraditório qualificado às visões do Banco Central e do Ministério da Fazenda.

Em resumo

  • Paulo Nogueira Batista Jr. critica a taxa Selic atual por favorecer o capital financeiro em detrimento do setor produtivo.
  • O economista defende que a taxa de juros poderia ser reduzida para o patamar de 9% a 10%.
  • É proposta a criação de uma assessoria econômica direta no Planalto para diversificar as fontes de aconselhamento do presidente.

Fonte: Brasil 247

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