Sucessão na Alesp: manobra de André do Prado para emplacar novatos causa rebelião no PL
Presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo tenta manter influência ao indicar aliados de primeiro mandato para sua sucessão, enfrentando resistência da bancada do PL.

Foto: O deputado André do Prado (PL), presidente da Alesp e senador eleito em 2026 - Danilo Verpa - 3.ago.26/Folhapress · Original e licença
O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), eleito senador com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), enfrenta um racha interno em seu partido. A crise foi deflagrada pela tentativa de Prado de emplacar dois aliados recém-eleitos, Rogério Franco e Rodrigo Ashiuchi, como seus sucessores no comando da Casa a partir de fevereiro de 2027.
A movimentação é vista por parlamentares como uma estratégia de Prado para manter o controle sobre a estrutura da Assembleia e a indicação de cargos após sua saída. No entanto, a bancada do PL, que ampliou sua presença para 27 cadeiras, resiste à ideia de ser liderada por um deputado de primeiro mandato. Em reunião realizada na última terça-feira (3), a maioria dos parlamentares presentes manifestou preferência por nomes com experiência legislativa.
Entre os nomes cotados pela bancada estão os deputados reeleitos Marcos Damasio, Ricardo Madalena, Tenente Coimbra, Alex de Madureira e Thiago Auricchio. A deputada Dani Alonso também aparece como opção, contando com a simpatia da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Além da escolha do nome, os deputados buscam um compromisso do futuro presidente com o fim da reeleição para o cargo, regra alterada durante a gestão de Prado.
Embora Tarcísio de Freitas tenha sinalizado que não pretende intervir diretamente na sucessão, interlocutores indicam que o governador vê com ressalvas a articulação de Prado. O Palácio dos Bandeirantes prefere nomes como o do líder do governo, Gilmaci Santos (Republicanos), ou de Alex de Madureira, temendo que a falta de experiência do novo presidente dificulte a condução da pauta governista diante de parlamentares focados em redes sociais.
O PT, segunda maior força na Alesp, acompanha o impasse e também se prepara para as negociações da Mesa Diretora. O deputado Paulo Fiorilo (PT) defendeu que o próximo presidente tenha capacidade de evitar que o plenário se transforme em palco para cortes de redes sociais. O partido deve se reunir no próximo dia 10 para definir sua estratégia.
Em resumo
- André do Prado tenta emplacar aliados de primeiro mandato para a presidência da Alesp.
- Bancada do PL resiste à indicação e defende nomes com experiência legislativa.
- Governador Tarcísio de Freitas prefere nomes alinhados ao governo para evitar travamento da pauta.
- A eleição da nova Mesa Diretora está prevista para fevereiro de 2027.
Fonte: Folha de S.Paulo

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