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JBS na mira da justiça europeia: denúncias apontam elo entre carne e desmatamento

Gigante do setor de carnes, a JBS enfrenta uma ofensiva jurídica em quatro países europeus por suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao desmatamento na Amazônia.

A JBS, gigante global do processamento de carnes, tornou-se alvo de uma série de denúncias formais em quatro países europeus. A ofensiva, articulada pela Coalizão Jurídica Transnacional (TLC), aponta para uma suposta conexão entre a cadeia produtiva da empresa e crimes de desmatamento ilegal na Amazônia, o que, segundo a acusação, configuraria lavagem de dinheiro.

As denúncias, apresentadas na última quinta-feira (5), baseiam-se em um levantamento da organização AidEnvironment. O estudo cruzou dados de transporte de gado com registros de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), associando fornecedores diretos e indiretos da companhia a cerca de 6,5 milhões de hectares desmatados desde 1988. O grupo alega que mais de 80% da amostra analisada apresenta irregularidades em áreas protegidas.

A estratégia jurídica da coalizão é tratar o gado criado em áreas desmatadas como um ativo de origem ilícita. Com isso, bancos, investidores e auditores que mantêm relações comerciais com a JBS no Reino Unido, Irlanda, Alemanha e Países Baixos estariam violando normas europeias de combate à lavagem de dinheiro ao não reportarem operações suspeitas. Entre os alvos das denúncias estão instituições financeiras como o Banco do Brasil, em Londres, e a gestora BlackRock.

Em nota, a JBS contestou as acusações e afirmou que a ONG omitiu dados essenciais. A empresa declarou que não pode se manifestar sem acesso à metodologia do estudo e reforçou que monitora seus fornecedores via satélite desde 2010. Segundo a companhia, seu sistema bloqueia automaticamente fazendas com desmatamento ilegal, áreas embargadas ou sobreposição a terras indígenas e unidades de conservação.

Em resumo

  • A JBS foi denunciada em quatro países europeus por suposta lavagem de dinheiro ligada ao desmatamento na Amazônia.
  • A Coalizão Jurídica Transnacional acionou autoridades contra a empresa e seus parceiros financeiros, incluindo bancos e gestoras de investimentos.
  • Um estudo aponta que fornecedores da JBS estariam ligados a 6,5 milhões de hectares desmatados.
  • A JBS nega as irregularidades e defende a eficácia de seu sistema de monitoramento por satélite.

Fonte: ICL Notícias

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