Política · Justiça

PF investiga esquema de vazamentos no STJ e MPF envolvendo advogado próximo a Flávio Bolsonaro

Investigação aponta que o advogado Willer Tomaz recebia minutas sigilosas para ajustar estratégias processuais, contando com auxílio de um procurador aposentado.

Foto: - Flávio Bolsonaro em campanha e com Willer Tomaz em safari na África e em encontro íntimo (Vittor Sales Divulgação campanha / Reprodução DPF) · Original e licença

O advogado Willer Tomaz, figura próxima ao senador Flávio Bolsonaro (PL), tornou-se alvo de uma investigação da Polícia Federal sob a suspeita de receber vazamentos de minutas de decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pareceres do Ministério Público Federal (MPF) antes de suas publicações oficiais. Segundo a apuração, revelada pelos jornalistas Natália Portinari e Fábio Serapião, do Uol, o acesso antecipado permitia ao escritório de advocacia ajustar estratégias em tempo real, decidindo pela desistência de recursos conforme o resultado esperado.

A rede de suspeitas aponta para a participação do procurador aposentado Antônio Carlos Simões Soares, que teria atuado como intermediário. Soares, que chegou a ser cotado para o cargo de procurador-geral da República em 2019, é suspeito de repassar informações sigilosas e até de combinar o conteúdo de pareceres com Tomaz. Além dele, a PF investiga um funcionário de informática do STJ como possível canal de acesso às minutas.

A investigação detalha casos como o de uma disputa judicial envolvendo um terreno em Brasília, onde o escritório de Tomaz desistiu de um recurso dois dias antes da assinatura oficial de uma decisão do STJ. A proximidade entre o advogado e o senador Flávio Bolsonaro também é objeto de escrutínio, com a PF apurando indícios de uma possível sociedade oculta e o compartilhamento de contas bancárias e bens, como um jatinho.

Em nota, Willer Tomaz negou "categoricamente ter obtido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou pareceres sigilosos". O advogado afirmou que sua atuação "sempre observou a legislação e as prerrogativas profissionais da advocacia". O STJ confirmou a abertura de uma investigação interna, enquanto o caso envolvendo o ex-subprocurador deve ser remetido à primeira instância após sua aposentadoria.

Fonte: Revista Fórum

COMECE A CONVERSA

O que você acha desta notícia?

Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.

Comentários

Próxima notíciaNos bastidores, STF impõe condição para negociar saída de Alexandre de Moraes