Política · Segurança

Estratégia eleitoral: Lula ajusta discurso sobre maioridade penal para neutralizar oposição

Em entrevista, o presidente Lula defendeu a redução da maioridade penal para crimes hediondos, movimento visto por aliados como uma manobra para disputar a pauta da segurança pública.

Foto: O presidente Lula (PT) – Foto: Diego Herculano/Reuters · Original e licença

Em uma movimentação que marca um distanciamento da posição histórica do PT, o presidente Lula defendeu, durante entrevista à TV Globo na última quinta-feira (15), a redução da maioridade penal para 16 anos em casos específicos de crimes hediondos. A declaração, segundo apuração dos jornalistas Fábio Zanini e Gabriela Echenique, da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, faz parte de uma estratégia desenhada pela campanha para esvaziar a narrativa de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o tema.

Aliados do governo apontam que a decisão é pragmática. Pesquisas internas da campanha, citadas pela coluna, indicariam que cerca de 60% dos apoiadores de Lula e 80% da população geral seriam favoráveis à redução da idade penal para 16 anos. O objetivo seria impedir que a oposição monopolize o debate sobre segurança pública em um momento de disputa eleitoral acirrada.

Apesar da repercussão, a proposta defendida por Lula é significativamente mais restrita do que a defendida pelo PL, que propõe a redução para 16 anos como regra geral e 14 anos para crimes graves. O presidente sugeriu que a discussão sobre a idade penal ocorra em uma etapa posterior à aprovação da PEC da Segurança Pública, que foca na reorganização das atribuições entre os entes federativos.

O sociólogo Benedito Mariano, que coordenou o programa de segurança de Lula em 2022, classificou a fala como uma decisão política. Embora reconheça a necessidade de disputar a narrativa, Mariano mantém sua posição contrária à medida: “Sou contra a diminuição da maioridade penal, porque penso que fere cláusula pétrea da Constituição”. Ele também questionou a eficácia da proposta, argumentando que a mudança não alteraria a realidade da segurança pública no país.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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