Meta admite contradição ao TSE sobre dados de perfis de Lula
Gigante da tecnologia afirma ter cumprido ordens judiciais, mas confessa em documento que ainda não entregou informações sobre restrições aos perfis do presidente.

Foto: - Logo da Meta em congresso em Barcelona, na Espanha (Joan Cros / NurPhoto via AFP) · Original e licença
A Meta, responsável pelo Facebook, Instagram e Threads, protagonizou uma contradição em sua defesa apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta segunda-feira (12). Embora tenha declarado ter cumprido integralmente as determinações da Justiça Eleitoral, a empresa admitiu, no mesmo documento, que ainda não entregou os dados solicitados sobre eventuais restrições aplicadas aos perfis oficiais do presidente Lula desde o início da campanha, em 16 de agosto.
A manifestação foi enviada ao ministro Marco Aurélio Bellizze em resposta a uma representação da coligação de Lula, que questiona possíveis limitações no alcance de conteúdos petistas e um suposto favorecimento algorítmico a adversários. Em um trecho da contestação, a empresa afirma ter cumprido as providências, mas, em outros parágrafos, reconhece que ainda está consultando seus sistemas e solicita a prorrogação do prazo para apresentar as informações pendentes.
Além da falha na entrega de dados, a Meta admitiu que seus filtros de recomendação eleitoral não se limitam aos perfis dos candidatos. A empresa confirmou que conteúdos publicados em colaboração com terceiros — como influenciadores e comunicadores — também são afetados pela restrição, mesmo que esses parceiros não estejam submetidos às regras eleitorais. A medida levanta preocupações sobre o impacto na liberdade de expressão de movimentos sociais e apoiadores.
Sobre a denúncia de uma rede de 255 perfis que utilizariam inteligência artificial para manipular o debate político, a Meta informou ter investigado 35 contas citadas em reportagens. O resultado foi a desativação de sete perfis, sendo seis por reincidência em violações e um por identidade enganosa. A empresa, contudo, sustentou não ter encontrado elementos suficientes para caracterizar uma operação de comportamento inautêntico coordenado no grupo analisado.
A defesa também reconheceu um erro técnico ocorrido em 23 de setembro, quando a conta de anúncios da campanha de Lula foi indevidamente desativada sob a suspeita de se passar por um programa social do governo. A empresa alega que a peça fazia parte de um lote de 307 anúncios revisados no combate a fraudes.
Fonte: Revista Fórum

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.