Política · Economia

Corrida eleitoral eleva pressão sobre contas públicas com novas promessas

Candidatos à presidência intensificam anúncios de medidas com impacto orçamentário, evidenciando os desafios políticos para o ajuste fiscal a partir de 2027.

Foto: Lula e Flávio Bolsobaro se enfrentaram no dia 25 deste mês durante o segundo turno das eleições — Foto: Nelson Almeida e Brenno Carvalho · Original e licença

A reta final da disputa presidencial tem sido marcada por uma sucessão de anúncios que elevam a preocupação com a trajetória das contas públicas. Em um cenário onde o debate sobre o ajuste fiscal para 2027 parecia ganhar contornos mais definidos, as movimentações recentes de Lula e Flávio Bolsonaro revelam os limites políticos impostos pela corrida eleitoral.

O presidente Lula, em busca de reeleição, apresentou um pacote de medidas voltadas aos microempreendedores individuais (MEI). Entre as ações, destacam-se o "Pix MEI", com custo estimado de R$ 5 bilhões em quatro anos, e o perdão de dívidas tributárias, que representa uma renúncia fiscal de R$ 3 bilhões nos próximos três anos. Além disso, o governo anunciou a criação de um programa Pé-de-Meia para universitários, com impacto anual de R$ 700 milhões, e promoveu, na véspera do feriado, a desoneração de combustíveis.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro, líder nas pesquisas, tem tentado equilibrar seu discurso de austeridade com a pressão política. O candidato declarou apoio à PEC que propõe o fim da escala 6x1, prometendo compensações financeiras às empresas, embora não tenha detalhado os custos ou a fonte dos recursos. Ao mesmo tempo, recuou de propostas ortodoxas, prometendo reajuste real do salário mínimo e descartando a desvinculação de benefícios previdenciários.

A estratégia de ambos os lados reflete a dificuldade de conciliar promessas de campanha com a necessidade de equilíbrio nas contas. Enquanto a campanha bolsonarista evita detalhar como implementaria um ajuste de 1,5% do PIB, o governo atual utiliza a máquina pública para tentar reverter a desvantagem nas urnas, deixando claro que, independentemente do vencedor, o próximo mandato enfrentará um cenário fiscal desafiador.

Fonte: O Globo

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