Política · Segurança

Ex-companheira de Cerimedo aponta elo entre consultor e campanha de Flávio Bolsonaro

Nadia Beller, ex-companheira de Fernando Cerimedo, afirma que o consultor articulava interferência na Meta para prejudicar Lula e planejava atuar na campanha de Flávio Bolsonaro.

Foto: O consultor político argentino Fernando Cerimedo e o candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Agustin Marcarian/Reuters/Gabriela Biló/Folhapress · Original e licença

Nadia Beller, ex-companheira do consultor político argentino Fernando Cerimedo, trouxe à tona denúncias graves sobre uma suposta estratégia de manipulação nas redes sociais voltada ao cenário eleitoral brasileiro. Segundo a advogada, o grupo liderado por Cerimedo — figura próxima ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro e ao presidente argentino Javier Milei — manteria contatos privilegiados na Meta para interferir na visibilidade de conteúdos políticos.

Em relato divulgado nesta terça-feira (13), Beller afirmou que o consultor se gabava de ter poder para derrubar ou restabelecer páginas no Facebook e Instagram. Ela sustenta que essa influência teria sido utilizada para reduzir o alcance de publicações do presidente Lula e favorecer campanhas de desinformação. “Eu não tenho dúvida de que sua equipe, seu grupo, interveio nisso”, declarou a advogada.

A denúncia ganha contornos políticos ao apontar uma articulação direta para as eleições de 2026. De acordo com Beller, Cerimedo teria manifestado a intenção de integrar a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). Em agosto, o consultor teria enviado à ex-companheira uma fotografia ao lado de um membro da família Bolsonaro, tirada nos Estados Unidos, mencionando que buscava financiamento para atuar na disputa brasileira.

Além das supostas conexões com a plataforma, Beller denunciou a existência de estruturas robustas de contas automatizadas, as chamadas 'fazendas de bots', que seriam utilizadas para ataques coordenados e manipulação do debate público. Fernando Cerimedo, que já admitiu o uso de robôs em campanhas de direita na América Latina, foi preso na Bolívia em 18 de agosto, sob a acusação de ter ordenado o assassinato de Nadia Beller, crime que ele nega.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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