Vereadoras em SC são vítimas de ataque orquestrado às mulheres de esquerda e à democracia.

Portal Plantão Brasil
13/2/2023 19:35

Vereadoras em SC são vítimas de ataque orquestrado às mulheres de esquerda e à democracia.

0 0 0 0

36446 visitas - Fonte: O Globo

A cassação de uma vereadora de Santa Catarina ganhou grande repercussão. Maria Tereza Capra, de São Miguel do Oeste, teve seu mandato cassado por denunciar uma saudação nazista feita por um grupo de bolsonaristas que não aceita o resultado das eleições. Um processo injusto, mas também um episódio de violência política de gênero. Antes de ter seu mandato cassado com o voto de dez homens, Maria Tereza foi perseguida, ameaçada e teve que deixar a cidade para se proteger.

Ela está sendo atendida pelo Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, além de monitorada por uma equipe federal com medidas emergenciais de segurança. A vereadora aguarda a publicação do decreto legislativo com o resultado da cassação para ingressar com um recurso judicial a fim de reverter a decisão injusta e retomar seu mandato conferido nas urnas pela população de São Miguel do Oeste.

Lamentavelmente, essas violências têm se repetido contra outras mulheres em Santa Catarina. Por se solidarizar com Maria Tereza, as vereadoras Ana Lucia, de Joinville, e Carla Ayres, de Florianópolis, receberam e-mails com graves ofensas e ameaças. Vítima das mesmas ameaças, Giovana Mondardo, de Criciúma, também enfrentou processo de cassação pelo mesmo motivo de Maria Tereza, mas o seu foi arquivado. Marlina Oliveira, de Brusque, que recentemente teve seu mandato ameaçado por fazer oposição ao governo local, também foi atacada. Da mesma forma, em Concórdia e Maravilha, as vereadoras Ingrid Fiorentin e Eliana Simionato são perseguidas pela extrema direita.

O que todas elas têm em comum? São mulheres de esquerda ocupando espaços que tradicionalmente estavam, de certo modo, “reservados” aos homens. A cassação de Maria Tereza não pode ser vista como um caso isolado. Assim como a perseguição a mulheres de diferentes regiões de Santa Catarina, não se trata de mera coincidência. Não tem nada de “quebra de decoro”, como alegam os vereadores que perseguem as nossas vereadoras. Trata-se de um ataque orquestrado às mulheres de esquerda e à democracia. Mas por que querem intimidar, calar e silenciar estas mulheres? Porque elas levam ao Legislativo local questões importantes à vida das mulheres, alteram a rotina do Parlamento, desafiam o statu quo. Elas denunciam, fazem oposição, fiscalizam.

E o que nós vamos fazer diante desta ofensiva? A nós, homens e mulheres que lutamos por um país mais justo, plural e diverso, cabe lutar para que a representação feminina seja efetivamente garantida. Precisamos nos organizar, junto à sociedade brasileira, para defender estas mulheres. Iniciativas como o Movimento Humaniza, em Santa Catarina, e o Instituto Marielle Franco, com atuação nacional, tornam-se cada vez mais importantes diante da ofensiva machista da extrema direita. Nossa luta não começa nem termina com a eleição de mais mulheres. O Estado precisa proteger a vida dessas vereadoras, para que tenham seus mandatos garantidos e não sejam vítimas de nenhum tipo de violência.

*Pedro Uczai é deputado Federal (PT-SC)

Plantão Brasil foi criado e idealizado por THIAGO DOS REIS. Apoie-nos (e contacte-nos) via PIX: apoie@plantaobrasil.net



APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!

Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.



O Plantão Brasil é um site independente. Se você quer ajudar na luta contra o golpismo e por um Brasil melhor, compartilhe com seus amigos e em grupos de Facebook e WhatsApp. Quanto mais gente tiver acesso às informações, menos poder terá a manipulação da mídia golpista.


Últimas notícias

Notícias do Flamengo Notícias do Corinthians