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Em depoimento à Polícia Federal (PF), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta quarta-feira (26) que estava sob efeito de remédios quando compartilhou um vídeo com informações falsas após os atos de 8 de janeiro. Médicos, no entanto, afirmam que a morfina não causa qualquer tipo de alteração mental.
“Por acaso, justamente neste período, o presidente estava internado num hospital em Orlando, justamente no período do dia 8 ao 10 [de janeiro], quando ele teve uma crise de obstrução intestinal, isso está documentado, foi submetido a tratamento com morfina, ficou hospitalizado e só recebeu alta na tarde do dia 10”, afirmou o advogado Paulo Bueno, que acompanhou o ex-mandatário no depoimento.
Além dessa substância, não foi revelado quais outros remédios Bolsonaro estava usando. A morfina não tem relação com a euforia, segundo a médica Amelie Falconi, especialista em medicina da dor.
O anestesiologista Guilherme Barros explica que, por ser um inibidor do sistema nervoso central, a morfina está associada à sonolência. Esse é um dos principais efeitos relacionados ao uso agudo do remédio, para tratar dores pontuais.
“A pessoa pode ter comportamentos de sonolência, ficar mais letárgico para responder ao meio, de acordo com a dose administrada. Mas não a ponto de falar coisas em desacordo com a realidade, ou ter mudanças na capacidade de raciocínio. O paciente sonolento não diz algo que não acredita, apenas fala de maneira lenta”, afirmou.
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