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A crise aberta pelo sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos deve repercutir fortemente no debate político brasileiro e na avaliação do governo Lula às vésperas das eleições. Segundo o internacionalista Gustavo Rocha, doutor em Ciência Política pela UFPE, a defesa da soberania sul-americana pode favorecer o governo petista se ele assumir a liderança regional contra a intervenção dos EUA, transformando um limão em limonada eleitoral. A disputa central estará entre a narrativa da direita, que tentará vender o ataque como “libertação” da Venezuela, e a do governo, que denunciará a violação da soberania e a ingerência norte-americana.
O professor explica que o impacto político para o governo Lula dependerá de sua capacidade de liderar uma articulação regional que limite a intervenção dos EUA e auxilie uma transição na Venezuela. “Se o governo Lula se posicionar firmemente, e liderar o processo de transição para um novo momento, o governo brasileiro pode fazer do limão uma limonada”, afirma Rocha, destacando que a defesa da América do Sul pode ter impacto positivo na avaliação popular, especialmente após o histórico “tarifaço” de Trump contra o Brasil.
Rocha ressalta que a polarização interna definirá as narrativas: enquanto o bolsonarismo tende a celebrar a ação dos EUA como uma “libertação”, o governo Lula a enxerga como uma nova intervenção indevida na região. A posição governista busca não defender o regime de Maduro, mas sim o princípio da soberania, da não-intervenção e da autodeterminação dos povos, argumento que pode ressoar em um eleitorado sensível ao histórico de ingerência norte-americana na América Latina.
Por fim, o internacionalista alerta que a reação regional será decisiva para frear o ímpeto intervencionista dos EUA e evitar um precedente perigoso. Uma articulação forte envolvendo Brasil, México e Colômbia poderia conter a escalada militar e permitir uma transição democrática na Venezuela, ainda que a captura de Maduro seja irreversível. A capacidade do governo Lula de liderar essa resposta não apenas definirá o futuro da Venezuela, mas também influenciará diretamente sua própria trajetória eleitoral, projetando uma imagem de liderança regional e defensor da soberania latino-americana.
Com informações do jornal Diário de Pernambuco
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