79 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O governo do presidente Lula demonstra mais uma vez sua estatura de estadista ao avaliar com extrema cautela o convite de Donald Trump para o Brasil integrar um suposto "conselho de paz" da Casa Branca. Para o Palácio do Planalto, a iniciativa do líder da extrema-direita estadunidense esconde uma armadilha perigosa: a tentativa de esvaziar a ONU e substituir o multilateralismo por uma estrutura paralela dominada pelos interesses de Washington. Lula, fiel à tradição diplomática brasileira de equilíbrio e respeito às instituições internacionais, não pretende legitimar um fórum que ignora as bases do direito internacional.
A estratégia de Lula é ganhar tempo para evitar um embate direto, mas sem abrir mão da defesa da ONU como foro principal para resoluções de conflitos. Auxiliares do presidente identificam que aceitar o assento proposto por Trump seria dar um cheque em branco para uma estrutura sem garantias de equilíbrio político e voltada ao protagonismo unilateral dos EUA. Diferente do alinhamento servil visto no passado bolsonarista, o governo atual prioriza a soberania nacional e a reforma do sistema global de segurança, em vez de se curvar a estruturas improvisadas que servem apenas ao espetáculo político de Trump.
Um dos pontos mais críticos da proposta de Trump é o objetivo de supervisionar a reorganização da Faixa de Gaza sem a participação dos próprios palestinos no núcleo decisório. Lula já iniciou conversas estratégicas com líderes como Narendra Modi, da Índia, e Mahmoud Abbas, da Autoridade Palestina, que sequer foram convidados por Trump. Para a diplomacia brasileira, é inadmissível discutir o futuro de um território devastado excluindo os seus representantes legítimos, o que reforça o caráter autoritário e excludente da iniciativa do bilionário estadunidense.
O convite formal chegou à embaixada em Washington na última sexta-feira, mas o Itamaraty permanece em silêncio estratégico. Interlocutores do Planalto afirmam que não há pressa para responder a uma proposta que pode comprometer a posição histórica do Brasil no Oriente Médio. Enquanto líderes de direita, como Javier Milei, correm para se alinhar a qualquer movimento de Trump, Lula mantém a seriedade necessária para analisar as consequências geopolíticas, garantindo que o Brasil não seja usado como peça decorativa em um conselho que ignora o equilíbrio entre as nações.
A lista de convidados de Trump inclui figuras polêmicas como o argentino Milei e o turco Erdogan, evidenciando o perfil que a Casa Branca deseja para esse grupo. No entanto, para o governo Lula, o prestígio internacional do Brasil não depende de convites de ocasião de líderes extremistas, mas sim da coerência na defesa da paz real e inclusiva. As discussões internas para formular a recusa diplomática devem começar na próxima semana, com o objetivo de reafirmar que o Brasil só dialoga em instâncias que respeitem a democracia global e a autonomia dos povos envolvidos nos conflitos.
Com o retorno de Donald Trump ao poder, o cenário internacional exige que líderes experientes como Lula ajam como freio contra tentativas de desmonte de órgãos como a ONU. O Brasil de hoje não é mais aquele que batia continência para bandeira estrangeira; é um país que lidera pelo exemplo e pelo respeito à autodeterminação. Ao resistir ao "conselho" de Trump, o governo brasileiro envia um recado claro ao mundo: a paz não se faz com exclusão e nem sob as ordens de uma única potência, mas sim com diálogo franco e dentro das regras internacionais estabelecidas.
Com informações do DCM
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