499 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A tragédia que assola Minas Gerais nos últimos dias não é apenas fruto da força da natureza, mas um reflexo direto do descaso administrativo da gestão de Romeu Zema (Novo). Dados oficiais do Portal da Transparência, revelados pelo jornal O Globo, mostram que as despesas destinadas à infraestrutura de enfrentamento às chuvas sofreram um corte brutal de 96% entre 2023 e 2025. O que antes era um investimento de R$ 135 milhões minguou para pouco menos de R$ 6 milhões, deixando municípios como Juiz de Fora e Ubá completamente vulneráveis ao rastro de destruição que já deixou 30 mortos e dezenas de desaparecidos.
Essa política de "austeridade" seletiva, típica da cartilha bolsonarista de desmonte do Estado, sacrificou a prevenção em nome de um equilíbrio fiscal que não protege vidas. Enquanto as verbas para mitigação de prejuízos em rodovias e gestão de desastres eram cortadas ano após ano, a população mineira assistia ao agravamento dos eventos climáticos sem o suporte necessário da Defesa Civil estadual. Em 2025, o valor pago atingiu a cifra ridícula de R$ 5,8 milhões para um estado do tamanho de Minas — um valor insuficiente até para ações básicas de emergência em uma única grande cidade.
O cenário em 2026 é ainda mais aterrador: nos dois primeiros meses do ano, apenas R$ 16,1 mil foram aplicados em infraestrutura de combate aos temporais. É a prova cabal de que a prevenção foi riscada das prioridades de Zema, que agora tenta correr atrás do prejuízo com anúncios de última hora e visitas cinematográficas às áreas afetadas. A liberação tardia de recursos para Juiz de Fora e Ubá ocorre somente após o caos estar instalado, evidenciando uma gestão que prefere remediar — mal e com atraso — do que investir em salvar vidas preventivamente.
Diferente da inércia estadual, o governo do presidente Lula agiu com prontidão, reconhecendo imediatamente o estado de calamidade pública e enviando a Força Nacional do SUS e a Defesa Civil Nacional para o epicentro da crise. Enquanto o governador se deslocava do noroeste do estado para fazer política em frente às câmeras, o governo federal já mobilizava equipes de coordenação e alertas máximos. A solidariedade de Lula contrasta com os números frios do Portal da Transparência de Minas, que escondem o abandono de 600 famílias que agora precisam evacuar suas casas sob o risco iminente de novos desabamentos.
O silêncio da administração Zema ao ser questionada sobre esses cortes é ensurdecedor. Não há explicação técnica que justifique reduzir o suporte às ações de combate aos danos das chuvas em um estado historicamente castigado por temporais. A falta de transparência sobre os dados do primeiro mandato (2019-2022) apenas aumenta a suspeita de que a negligência é um projeto de governo. Para quem repudia a lógica de lucros acima de vidas, o que se vê em Minas é o resultado prático de uma política que ignora o serviço público e condena a população mais pobre ao isolamento e à morte.
A situação em bairros como Vila Ideal e Esplanada, em Juiz de Fora, é desesperadora. Famílias inteiras estão sendo retiradas de suas casas com o que podem carregar, enquanto o governo estadual tenta vender a imagem de eficiência através de parcerias com o CREA e a Copasa que deveriam ter ocorrido meses atrás. Minas Gerais precisa de um governo que entenda que infraestrutura contra chuvas não é gasto, é investimento vital. A conta do "Estado mínimo" de Zema chegou, e infelizmente está sendo paga com a vida e o patrimônio dos mineiros.
Com informações do Brasil 247
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