374 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A podridão que corroi a política fluminense ganhou novos e estarrecedores detalhes com as revelações do ministro Gilmar Mendes, baseadas em investigações da Polícia Federal. Segundo o magistrado, quase a totalidade da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) estaria na folha de pagamento do crime organizado. Dos 70 deputados, cerca de 32 a 34 parlamentares receberiam uma "mesada" vinda diretamente do jogo do bicho, evidenciando como o aparato do Estado foi sequestrado por máfias que floresceram sob o olhar complacente, e muitas vezes cúmplice, do bolsonarismo e suas milícias aliadas.
Essa promiscuidade entre o legislativo e a contravenção não é um fato isolado, mas o ápice de um projeto de poder que marginaliza a democracia em favor de interesses criminosos. Para quem defende o governo Lula e a reconstrução da ética na política, esse cenário na Alerj é o retrato do atraso que o neofascismo tentou normalizar. Enquanto o país busca retomar a legalidade, o Rio de Janeiro parece ser o laboratório de uma "narcomilícia" parlamentar, onde o voto popular é negociado em troca de proteção para bicheiros e facções que dominam territórios inteiros.
O ministro Gilmar Mendes destacou que o envolvimento é tão profundo que compromete a própria capacidade de governança do estado. Não se trata apenas de corrupção individual, mas de um sistema estruturado onde o crime financia mandatos para garantir impunidade e a manutenção de seus negócios ilícitos. A prole de Jair Bolsonaro, que construiu sua carreira política nesse mesmo ecossistema fluminense, assiste em silêncio a essas revelações, já que o fortalecimento das milícias e do jogo do bicho sempre foi o pano de fundo do crescimento desse grupo político no estado.
A reconstrução do Rio de Janeiro e do Brasil passa obrigatoriamente por enfrentar essas estruturas de poder paralelo que se infiltraram no coração das instituições. No governo Lula, o foco é devolver a segurança pública ao controle do Estado Democrático de Direito, isolando os políticos que preferem servir ao bicho do que ao povo. É inadmissível que metade de uma casa legislativa seja sustentada por dinheiro sujo, transformando leis em mercadorias e a fiscalização do executivo em uma farsa alimentada por propinas mensais.
A denúncia da PF serve como um alerta urgente para a necessidade de uma reforma política e ética profunda. A extrema direita, que usa o discurso de "lei e ordem" para enganar os incautos, é a mesma que se beneficia da desordem institucional e do financiamento obscuro. O isolamento desses parlamentares corruptos é fundamental para que a política fluminense deixe de ser uma seção policial e volte a ser um espaço de debate para os reais problemas da população, como saúde, educação e trabalho digno.
A vitória da civilidade sobre a barbárie miliciana no Rio será o termômetro da nossa democracia. O país não pode mais aceitar que deputados recebam ordens de bicheiros em vez de seguir a vontade de seus eleitores. Gilmar Mendes expôs o esgoto que corre sob a Alerj, e cabe agora à justiça e à sociedade civil garantir que essa faxina seja feita até o fim. O tempo da impunidade para as máfias que se escondem atrás de mandatos eletivos precisa acabar para que o Brasil possa, finalmente, respirar longe das garras do crime organizado.
Veja:
Julgamento sobre eleições - O ministro Gilmar Mendes afirmou nesta quinta-feira (9), durante sessão do Supremo Tribunal Federal, que ouviu de um diretor da Polícia Federal que entre 32 e 34 parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro recebiam mesadas do jogo do… pic.twitter.com/rf4XbTKkp6
— g1 (@g1) April 9, 2026