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A tentativa do senador Flávio Bolsonaro de reescrever o próprio passado e posar como uma alternativa moderada da extrema-direita desmoronou completamente. Hoje pré-candidato à Presidência da República e vendido por marqueteiros como o “Bolsonaro que toma vacina”, o parlamentar teve sua hipocrisia exposta por um levantamento da coluna Painel, da Folha de S.Paulo. Os dados trazem de volta o rastro de declarações desastrosas feitas por ele entre 2020 e 2021, provando que, antes de adotar o atual disfarce pró-vacina, Flávio marchou lado a lado com o negacionismo científico mais radical e destrutivo patrocinado por seu pai, Jair Bolsonaro.
No auge da crise sanitária, em setembro de 2020, o senador usou suas redes sociais de forma irresponsável para fazer propaganda de remédios ineficazes contra o coronavírus, como a hidroxicloroquina e a azitromicina, ignorando os alertas de toda a comunidade médica global. Além disso, atuou ativamente para sabotar o distanciamento social coordenado por prefeitos e governadores, defendendo o esdrúxulo "isolamento vertical" e apoiando a nefasta campanha patronal “O Brasil Não Pode Parar” — que colocava o lucro acima da vida de milhões de trabalhadores. Para piorar o histórico, Flávio chegou ao cúmulo de compartilhar um vídeo asqueroso que comparava as restrições sanitárias dos estados ao horror promovido pelo regime nazista em campos de concentração.
A reviravolta no discurso só aconteceu em março de 2021, motivada puramente pelo desespero e pelo severo desgaste político que o governo federal enfrentava com o avanço das mortes e o clamor popular por imunizantes. Foi nesse período que o clã recuou, e Flávio se apressou em formular projetos para compra de vacinas e correu para tomar sua dose diante das câmeras, em julho daquele ano. Contudo, o oportunismo continuou mandando em suas redes: logo depois, o senador tentou sequestrar politicamente a autoria de todas as vacinas para o governo do pai, apagando deliberadamente o esforço histórico de São Paulo e do Instituto Butantan na vinda da CoronaVac. Confrontada pela reportagem sobre essa montanha-russa de mentiras e contradições, a assessoria do senador preferiu o silêncio covarde, evidenciando que o verniz de moderado não resiste a cinco minutos de checagem dos fatos.
Estou curado da covid-19, graças a Deus!
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) September 6, 2020
Tratei, desde os primeiros sintomas, com hidroxicloroquina e azitromicina, com acompanhamento médico!
Comigo, já são quase 3,3 milhões de brasileiros recuperados! pic.twitter.com/X6yRuj9jmX