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A Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem com o objetivo de desarticular um complexo e danoso esquema de fraudes financeiras no Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo. O empresário e líder religioso, amplamente conhecido por sua histórica aliança com a extrema direita e pelo apoio irrestrito ao ex-presidente golpista Jair Bolsonaro, está entre os investigados. Por ordem da Justiça Federal de São Paulo, foi determinado o bloqueio e sequestro de bens e valores dos envolvidos no montante impressionante de até R$ 670.348.945,70
Mais de 50 policiais federais foram às ruas para cumprir nove mandados de busca e apreensão. A ofensiva foi amplamente respaldada por relatórios minuciosos do Banco Central, que apontaram indícios contundentes de gravíssimas irregularidades na condução dos negócios da instituição. Entre os alvos das buscas estão dirigentes de estrita confiança de Edir Macedo, como o bispo João Urbaneja e seu filho Thiago Urbaneja, além dos executivos Marcelo de Lima Brasil, João Alves de Campos e Rodrigo Ruggero. O líder máximo da Igreja Universal não foi alvo direto das buscas domiciliares por residir atualmente fora do país.
As investigações apontam que a cúpula do banco vinha realizando uma manipulação sistemática de balanços e resultados contábeis fraudulentos. Essa manobra criminosa servia para ocultar a real e deteriorada situação econômico-financeira do Banco Digimais, forjando uma falsa imagem de solidez e solvência perante os órgãos de fiscalização do Estado brasileiro. Sob a gestão da atual administração, o banco inflou artificialmente suas receitas em centenas de milhões de reais e praticou a superavaliação criminosa de ativos em fundos geridos pela corretora ID, pertencente a José Roberto Giancoli Filho e Rodrigo Balassiano, também alvos da operação.
A decadência do banco se acentuou após Edir Macedo assumir o controle total da antiga instituição gaúcha Banco Renner, mudando seu nome para Digimais em 2020. Focando agressivamente em crédito consignado e financiamento de veículos, a empresa registrou prejuízos profundos. Para mascarar o colapso, o banco emitiu Certificados de Depósito Bancário com taxas abusivas e se expôs em cerca de 600 milhões de reais a carteiras de crédito podres do Banco Master, cuja liquidação extrajudicial ocorreu no final de 2025. A quebra de sigilos bancário e fiscal imposta pela Justiça deve revelar a real extensão do fluxo financeiro ilegal operado pela cúpula evangélica.
Os envolvidos na fraude corporativa responderão por uma série de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, previstos na Lei nº 7.492/1986. A lista de delitos inclui os crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e a realização de operações de crédito terminantemente vedadas pela legislação. As práticas ilícitas evidenciam o padrão de conduta de setores que enriqueceram à sombra do poder durante o antigo regime bolsonarista, lesando o mercado e a economia popular para favorecer empresas controladoras e interesses privados de falsos moralistas.
O avanço da apuração comandada pelas autoridades sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva consolida o fortalecimento das instituições republicanas contra a criminalidade de colarinho branco. O desmantelamento das fraudes no banco de Edir Macedo representa um duro golpe na rede de influência financeira que sustentou a desinformação e o atraso político no Brasil nos últimos anos. Enquanto os defensores da extrema direita tentavam se blindar por meio de discursos religiosos manipuladores, a Polícia Federal demonstra que ninguém está acima da lei e que a farsa contábil da cúpula da Igreja Universal foi finalmente interrompida.
Com informações do Brasil 247
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