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Uma violenta e coordenada onda de ataques racistas chocou as redes sociais após a veiculação de uma chamada para o programa Sala de Imprensa, do SBT News. As vítimas da agressão virtual foram a professora Zara Figueiredo, secretária nacional do Ministério da Educação (MEC), e as renomadas jornalistas Basília Rodrigues e Ester Cauany, do SBT. A entrevista, gravada na esteira do Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial, debatia justamente as engrenagens do racismo estrutural no Brasil. O debate foi o estopim para que perfis reacionários inundassem a postagem com comentários desumanizadores, desferindo ataques viscerais contra a estética, os corpos e a própria legitimidade intelectual das três profissionais negras.
Os criminosos virtuais, protegidos pelo falso anonimato das telas, recorreram a táticas infames de despersonalização. Perfis como os de Romulo Leandro da Silva e Edu Demilite tentaram ridicularizar os traços físicos e os cabelos das entrevistadas. Outros escalaram o preconceito para o escárnio escatológico, como o usuário Julio Santos, que escreveu a palavra “fezes”, e o internauta Rafael Benedito Marques — que ostenta a insígnia "anti-petista" no perfil — que questionou que "espécie de alienígenas" seriam as entrevistadas. A ofensiva também revelou uma tática articulada de comunidades de jogos virtuais: o uso do jargão de internet “skin” (pele ou aparência de personagem) como eufemismo para destilar ódio de cor. Usuários como Admar PJ, Aelton Souza e Maurício Souza Mello usaram o termo de forma pejorativa, sendo que alguns, como a usuária "evamaior", chegaram a grafar a palavra de forma errada ("skim").
Diante do massacre virtual, as vítimas e lideranças políticas reagiram com firmeza institucional contra a impunidade digital. A secretária Zara Figueiredo gravou um pronunciamento público confirmando que todos os registros visuais e as identidades civis dos agressores já foram formalmente entregues à Polícia Federal. Ela ironizou o erro dos racistas, lembrando que skin se escreve com N e que, no país onde 56% da população é negra, a presença delas é obrigatória. Zara também rechaçou o pretexto de "liberdade de expressão" e evocou uma premissa jurídica do ministro do STF, Alexandre de Moraes, de que as regras do mundo real devem prevalecer também no ambiente virtual, reforçando que racismo é crime em qualquer espaço e que elas não vão recuar um milímetro.
A deputada estadual Macaé Evaristo emitiu uma nota de solidariedade alertando que o ataque não é isolado, mas sim um método político estruturado que visa interditar e dizer para cada mulher negra que aquele lugar de destaque não pertence a ela. A jornalista Basília Rodrigues endossou o manifesto, lembrando que a tentativa de interromper mulheres negras atacando sua imagem é uma violência diária que não mais passará impune. Procurados pelo jornalismo, a maioria dos agressores fugiu e silenciou, com exceção de Maurício Souza, que alegou que seu comentário era apenas uma "ironia".
Com informações do SBT News
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