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A superação do modelo agroexportador e primário-exportador ganha um horizonte concreto de soberania e reindustrialização para o Brasil. Estudo divulgado nesta terça-feira (4) pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), conduzido por pesquisadores das universidades federais de Minas Gerais (UFMG) e Juiz de Fora (UFJF), revela que a industrialização e o processamento interno de minerais críticos podem adicionar expressivos R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) até 2050. Mais do que números robustos, a estratégia tem o potencial de gerar cerca de 750 mil empregos de alta qualificação no país ao longo dos próximos 25 anos, impulsionando a transição energética justa.
A pesquisa escancara o abismo entre continuar como mero fornecedor de matéria-prima barata para o Norte global ou assumir o protagonismo na cadeia de valor agregado. Em 2023, o Brasil processou minguados 5% do lítio extraído e refinou menos de 40% do seu níquel. Caso o país mantenha a lógica dependente de exportar minérios brutos, a expansão do PIB ficará limitada a R$ 128,7 bilhões e criará pouco mais de 300 mil vagas. Em contrapartida, ao processar lítio, grafita, cobre e terras raras para fabricar baterias e veículos elétricos em solo nacional, a indústria de transformação pode crescer 1,82%, com saltos de até 16,7% no setor de máquinas e equipamentos elétricos.
O debate ganha força no momento em que a Política Nacional de Minerais Críticos e Terras Raras avança no Congresso Nacional. A proposta, aprovada na Câmara e sob análise do Senado, busca blindar as riquezas estratégicas contra a espoliação internacional, estabelecendo a forte presença regulatória do Estado brasileiro para garantir que a transição energética sirva ao desenvolvimento nacional, e não à rapina de multinacionais. A agregação de valor às reservas minerais consolida o Brasil como potência industrial sustentável e reafirma o papel do investimento nacional e tecnológico como motores de uma verdadeira independência econômica.
Com informações da Folha de São Paulo
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