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Em mais um episódio que expõe as entranhas da crise institucional no Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça impôs um ritmo de tartaruga para homologar a delação premiada de João Carlos Mansur, ex-dono da gestora Reag. Assinado com a Procuradoria-Geral da República e entregue ao gabinete no final de agosto, o acordo que promete balançar as estruturas do escândalo Banco Master segue mofando na gaveta do magistrado, levantando graves suspeitas sobre o uso político do processo no tabuleiro de forças da Corte.
A paralisia se torna ainda mais injustificável quando confrontada com a velocidade de outros despachos do próprio relator. Enquanto a colaboração de Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, foi homologada em recordistas 24 horas após a audiência de voluntariedade, a delação de Mansur permanece travada há semanas, mesmo após o empresário ter cumprido todas as etapas formais no início de setembro. Nos bastidores, a demora é atribuída ao envolvimento de Mendonça em guerras surdas de bastidor contra o grupo do ministro Alexandre de Moraes, usando o tempo do processo como trunfo em disputas corporativas.
A seletividade no andamento de apurações tão cruciais para o país é um desserviço à Justiça e afronta o interesse público. O escândalo do Banco Master exige apuração implacável, sem espaço para blindagens, manobras dilatórias ou barganhas de bastidor entre magistrados. A sociedade brasileira não aceitará que acordos de colaboração fundamentais sejam convertidos em reféns de guerras de ego e disputas de poder dentro da mais alta Corte do país.
Com informações do Metrópoles
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