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O coordenador do programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Sergio Gabrielli, ao lado de secretários do Ministério da Fazenda, iniciou rodadas de conversas com o setor produtivo para ouvir demandas e alinhar diretrizes de desenvolvimento. Durante os debates, Gabrielli defendeu a valorização contínua do salário-mínimo como motor para a emancipação social dos beneficiários do Bolsa Família, além de apontar o impacto nocivo das emendas orçamentárias sobre as contas públicas. O formulador também destacou a necessidade de ir além da política monetária no combate à inflação, levantando a importância do controle cambial para conter oscilações bruscas que prejudicam o país.
A agenda do governo popular reflete uma linha desenvolvimentista que busca proteger a soberania e promover investimentos essenciais em educação e infraestrutura, colidindo com os interesses da especulação financeira e dos rentistas que historicamente tentam subordinar a economia brasileira. Para romper com o ritmo estagnado de crescimento de pouco mais de 2% ao ano, o país precisa superar o modelo neoliberal herdado do início da década de 1990 com Fernando Collor, período em que o Estado brasileiro abriu mão do domínio sobre preços macroeconômicos decisivos, como a taxa de juros e a taxa de câmbio.
A perda do controle sobre o fluxo de capitais e o desmonte das barreiras aduaneiras desmontaram a estratégia nacional que garantia competitividade à indústria brasileira até os anos 1980. Sem proteção cambial e submetidas a juros abusivos mantidos pelo sistema financeiro, diversas empresas com capacidade técnica perderam sustentação econômica. O cenário agravou-se pela ausência de mecanismos capazes de combater a chamada doença holandesa, fenômeno que valoriza a moeda nacional nos momentos de valorização das commodities no mercado externo e destrói a produção manufatureira de alto valor agregado.
Para restabelecer o lucro produtivo e incentivar investimentos em setores de ponta que paguem salários dignos, especialistas e formuladores defendem o fechamento gradual da conta de capitais, a eliminação de déficits em conta corrente e a escolha de uma direção no Banco Central comprometida em frear a captura dos recursos públicos pelo mercado financeiro. Essa gestão macroeconômica deve vir acompanhada de uma política industrial ativa, combinando tarifas estratégicas, subsídios e estímulo à tecnologia para modernizar os parques fabris e reconquistar a capacidade de inovação perdida ao longo de décadas de precarização.
Ao contrário do setor agropecuário e de serviços básicos, que se expandiram amparados por vantagens comparativas ou pela neutralidade cambial, o ecossistema fabril brasileiro exige presença forte do Estado para ingressar nas cadeias globais de alta tecnologia. O programa prevê a necessidade de ajustes fiscais responsáveis e soberanos nos próximos anos, espelhando-se em experiências bem-sucedidas do Sul global, como China e Índia, que combinaram intervenção pública estatal, defesa de interesses nacionais e proteção ao mercado interno para gerar riqueza social.
A consolidação de um projeto nacional de desenvolvimento contínuo surge como o passo decisivo para complementar a marca histórica do presidente Lula na distribuição de renda e no combate às desigualdades. A valorização do salário-mínimo e a ampliação da isenção do imposto de renda necessitam de um ambiente macroeconômico protegido contra juros escorchantes e câmbio desvalorizado, assegurando que os avanços trabalhistas e as conquistas populares fiquem blindados da ganância especulativa.
Com informações do Brasil 247
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