884 visitas - Fonte: Tijolaço
Com a quase solitária dissenção do Ministro Marco Aurélio – ainda não terminou a votação e é visível o desconforto do presidente Ricardo Lewandowski – ficou claro que os nossos mais altos magistrados não têm senão vôos de galinha em matéria jurídica.
Portaram-se como rábulas, que não conseguem ir dois centímetros acima da letra da lei e julgam a autorização para afastar uma presidente da República como se fosse um caso qualquer, sem qualquer olhar sobre a repercussão político-institucional do caso.
Em última análise, aprovaram um visão em que o parecer aprovado pela Comissão do Impeachment – que todos eles sabem ser a “comissão do Cunha” pode conter e avaliar quaisquer coisas, desde que contenha, em algumas linhas, o objeto da denúncia acolhida pelo presidente da Câmara, por acaso o indigitado Eduardo Cunha.
Se quisermos extrapolar, é o mesmo que admitir que pudessem estar ali questões como seu comportamento pessoal, seus atos de governo, suas preferências e opções pessoais, desde que, em meio a isso, estivessem as questões abordadas na denúncia.
Tratam de uma decisão que é tão grave ao ponto de paralisar o país, que leva o Brasil a um clima de final de Copa como algo “sem importância”, pois, afinal, a decisão será no Senado, como se a votação de domingo fosse uma “porcaria” que nenhuma importância tem.
Ora, é impossível que os senhores ministros sejam imbecis que não percebam as consequências do seu ato.
Se não são imbecis, como é óbvio, são covardes e medíocres, que se portam convenientemente, como meros rábulas, incapazes de estar à altura da decisão protetiva do equilíbrio entre as partes .
Os guardiões da Constituição têm a estatura de simples “seguranças”.
Pior, já de olho no próximo “patrão”.
Pela “altivez” (perdoem-me a ironia) com que se portaram, é de esperar como se portarão nos acertos, por uma alínea ou inciso, na hora de promover a “pacificação” com os abutres.
Quem não tem coragem de defender o equilíbrio num processo que ataca o voto popular, terá para defender a aplicação da lei aos que o usurpam?
Notável ainda que tenham sido Luís Fachin, Luís Roberto Barroso e Teori Zavascki os que inauguraram este juízo alienado da realidade.
Os três que custaram muito a Dilma Rousseff indicar, suportando as mais pesadas críticas, ao que parece, associaram-se à “escola jurídica” de Michel Temer.
Nem é preciso mais Gilmar Mendes, que se deu ao luxo de ausentar-se, antes da proclamação do resultado.
PS. Enquanto escrevia, terminou a votação e, como disse ao início do texto, Lewandovski confirmou seu desconforto, acompanhando Marco Aurélio.
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