1139 visitas - Fonte: Tijolaço
Não escreveria se não tivesse “saído na Veja“.
Mas poderia ter sido na Caras.
Não escreveria pelas mulheres de hoje, que sabem, podem e defendem sua capacidade e sua condição de seres humanos plenos.
Não escreveria, portanto, escrever por si próprias.
Não tenho nada com o que cada um faz de sua vida, é meu princípio. Muito menos com quem casa, como encara o trabalho, como encara a vida familiar. Não é assunto para mim ou para ninguém.
Escrevo apenas por duas pessoas que me dizem respeito e que não estão mais aqui para se manifestarem diante desta pobre redução do papel de uma mulher.
A minha avó, que pedalou anos uma velha máquina de costura da Singer para ajudar a manter os filhos. E minha mãe, que se esfalfou em dois empregos, por anos, para fazer o mesmo.
Cada um tem o direito de ser como quiser, repito, mas a glamourização da mulher “recatada e do lar” é uma ofensa à imensa maioria de mulheres trabalhadoras e independentes.
Quem quiser e puder ser, problema seu. Mas não serve de modelo, porque a mulher, que sempre trabalhou, é capaz de exercer qualquer atividade, de ter o comportamento pessoal que bem desejar e viver plenamente as suas capacidades e vontades.
Aquela é, felizmente, uma espécie em extinção e é preciso extinguir também entre nós, homens, a visão de que isso é ser companheira ou a condição a que se pode obrigar alguma mulher, tirando-a do trabalho e, por isso, quase que a encarcerando “no lar”.
É um dever de qualquer ser humano, de qualquer sexo, se levantar contra esta violência moral que se quer fazer com a regressão das conquistas femininas e ela existe, como mostrou Mario Magalhães, no UOL, ao recolher, como esterco, as palavras do deputado Marco Feliciano, expoente destas trevas:
“Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo, e que vão gozar dos prazeres de uma união e não vão ter filhos.
A este imbecil, que provavelmente agride a própria mãe ou sua memória, eu felizmente posso dizer: você pode querer viver na pré-história, mas a pré-história não vai voltar a acontecer neste mundo.
Gente como ele deve estar se comprazendo com a comparação do que se exibe com a Presdenta que está derrubando.
Mas o mundo das mulheres nunca mais será o das dondocas nem o das escravas.
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