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Diário da Causa Operária
Desde o seu início, a Operação Lava Jato se mostrou muito mais do que uma investigação qualquer. Longe de pretender “passar o país a limpo”, a operação logo mostrou sua “preferência” pelos políticos e empresários ligados ao PT.
A perseguição ao PT resultou em uma completa demonização das práticas mais ligadas à classe trabalhadora e à burguesia nacional. Como resultado dessa demonização, a imprensa golpista – sustentada pela mesma burguesia imperialista que controla o Ministério Público e o Poder Judiciário no país – lançou duas grandes “metas” para a sociedade brasileira: oimpeachment de Dilma Rousseff e o fim da corrupção.
O fim da corrupção, como é óbvio, é algo inatingível em um sistema capitalista. No entanto, tal recurso retórico é apenas uma desculpa da direita golpista para destruir a imagem do ex-presidente Lula. Como disse o promotor fascista Deltan Dallagnol, Lula seria o “comandante supremo” da “propinocracia”.
Como, mesmo após toda a devassa que a Polícia Federal tem feito na vida do ex-presidente, não há nenhuma prova de que Lula tenha cometido algum delito, a estratégia dos golpistas tem sido a tortura. Tortura contra o ex-presidente e sua família – pela ameaça constante de prisão – e tortura contra os presos pelas operações golpistas – com o intuito de obter alguma delação premiada.
Para tentar incriminar Lula através das delações premiadas, várias pessoas já foram presas – embora nenhuma dessas prisões tenha bastado para conseguir uma delação suficientemente forte. João Vaccari Neto, Delcídio do Amaral e muitos outros foram presos com esse intuito. Embora tais prisões não tenham sido suficientes para deflagrar a prisão de Lula, os golpistas estão investindo na demonização de outro político ligado ao ex-presidente: Sérgio Cabral.
Sérgio Cabral, que governou o Rio de Janeiro entre 2007 e 2014, foi preso há alguns meses pela Polícia Federal na Operação Calicute – um dos desdobramentos da Operação Lava Jato. Sua prisão foi seguida de uma série de sensacionalismo da imprensa burguesa, que fez questão de mostrar sua imagem de cabelo raspado e uniforme carcerário.
Dia após dia, a imprensa golpista foi criando uma narrativa segundo a qual o Governo de Sérgio Cabral estava mergulhado em um “oceano de corrupção”. A megalomania em torno do “esquema de corrupção” do Governo de Sérgio Cabral foi tanta que chegaram a prender Eike Batista, que já foi o sétimo maior milionário do planeta.
A pressão que está sendo feita sobre Cabral não é à toa. O governador, que era próximo ao ex-presidente Lula, administrou um dos Estados que mais recebeu investimentos durante os governos petistas – principalmente durante a preparação das Olimpíadas de 2016 e a Copa do Mundo de 2014. Assim, os golpistas tentarão, a todo o custo, extrair de Cabral uma delação premiada que possa embasar a prisão de Lula.
O plano dos golpistas está muito claramente estampado nas manchetes dos jornais golpistas e nas deliberações do Poder Judiciário – que não é eleito. No fim de 2016, o jornal golpista O Estado de S. Paulo publicou uma matéria afirmando que o ex-governador estava “cogitando” fazer uma delação premiada. Sem apresentar quaisquer fontes e apresentando Cabral como “acuado e com medo de Bangu 8”, o jornal golpista apenas publicara a matéria com o intuito de pressionar o peemedebista para que fizesse a delação.
Pouco depois, Reinaldo Azevedo – colunista da Revista Veja e comentarista da Jovem Pan – e o próprio O Estado de S. Paulose colocaram contrários à delação de Sérgio Cabral. Contudo, isso não significa que a imprensa golpista está contra a delação de Sérgio Cabral – mas sim contra uma determinada delação de Sérgio Cabral.
Para os golpistas, se Cabral delatar outras pessoas que não o ex-presidente Lula, o ex-governador estará “jogando pérolas as porcos”. Assim, o posicionamento da imprensa golpista é apenas mais uma forma de pressionar o ex-governador para que este delate o ex-presidente. Em outras palavras: “só será solto se delatar Lula”.
A intenção da imprensa golpista fica muito clara nas palavras do próprio Reinaldo Azevedo: “O chefão, então, vai denunciar os subordinados, é isso? Não parece fazer muito sentido. Mundo afora, a delação se dá sempre para cima, rumo aos que comandam”. O Estado de S. Paulo também deixa claro sua sede pela prisão do ex-presidente: “No Brasil, qualquer um, mesmo que esteja na mais alta posição na cadeia do crime, pode delatar. É de perguntar: quem o chefe da quadrilha irá delatar? Vale a pena diminuir a pena do chefe da quadrilha em troca de informações menores?”.
No último dia 30, o presidente em exercício do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Martins, refutou ohabeas corpus solicitado pela defesa de Sérgio Cabral. Assim, por mais que Cabral seja apenas suspeito – isto é, não foi julgado, além de não ter sido preso em flagrante nem representar perigo para a sociedade – o Poder Judiciário – que é controlado pelo imperialismo – negou sua liberdade.
A decisão do STJ não pode ser vista como uma “aplicação da Constituição” ou uma “proteção à Operação Lava Jato”. A manutenção de Cabral na cadeia é, portanto, um passo fundamental para a incriminação do ex-presidente Lula.
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