Brasil

Fim da escala 6x1: pequenos lojistas de SP buscam alternativas para se adaptar à nova jornada

Com a transição para a escala 5x2 a partir de dezembro, comerciantes paulistanos avaliam estratégias para manter o funcionamento dos negócios diante dos desafios operacionais.

A promulgação do fim da escala 6x1 pelo Congresso Nacional, ocorrida em 16 de outubro, coloca o varejo brasileiro diante de um novo cenário. A partir de dezembro, as empresas deverão adotar a escala 5x2, com redução da carga horária semanal para 42 horas, caminhando gradualmente para 40 horas, sem redução salarial. Em São Paulo, pequenos comerciantes já articulam estratégias para cumprir a nova legislação, equilibrando a necessidade de pessoal com as dificuldades financeiras e a escassez de mão de obra.

Para alguns empresários, a mudança é vista como um ganho de qualidade. Paula Goldberg, dona da marca Maria Bonita, planeja fixar folgas semanais para sua equipe. Ela acredita que a medida trará benefícios a longo prazo, afirmando que o capital humano é mais precioso que o material e que a produtividade deve melhorar com a redução do turnover. Contudo, o setor enfrenta um gargalo: a dificuldade em encontrar profissionais qualificados, o que torna a expansão das equipes um desafio logístico.

O impacto, porém, é sentido de formas distintas. Enquanto alguns lojistas recorrem ao apoio de familiares para cobrir as novas folgas, outros, como o proprietário de uma padaria tradicional na Santa Cecília, Daniel Oliveira Marques, projetam um aumento expressivo nos custos operacionais. Marques estima que precisará contratar até sete novos funcionários, elevando a folha de pagamento em pelo menos R$ 12 mil mensais, o que, segundo ele, pressionará os preços ao consumidor final.

Em meio às incertezas, o Sebrae mantém uma postura otimista. O presidente da entidade, Décio Lima, classificou a mudança como a 'humanização da economia', argumentando que o tempo livre adicional dos trabalhadores deve impulsionar o consumo em setores como lazer e gastronomia. Para auxiliar na transição, o Sebrae disponibiliza consultorias, modelos de conversão de contratos e programas de capacitação voltados à produtividade para micro e pequenas empresas.

Fonte: ICL Notícias

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