Eleitores muçulmanos no Brasil oscilam entre pauta palestina e conservadorismo no segundo turno
Comunidade muçulmana brasileira apresenta divisões políticas na reta final da disputa eleitoral, equilibrando preocupações com o conflito em Gaza e pautas internas como segurança pública.

Foto: Sheik Mohamad Al Bukao no salão de orações da Mesquita Brasil, no Cambuci, em São Paulo. Foto: Reprodução · Original e licença
A reta final da disputa eleitoral brasileira revela uma comunidade muçulmana sem consenso sobre o próximo presidente. O embate entre Lula, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL, tem gerado reflexões distintas entre os fiéis, que pesam desde a política externa até o descontentamento com o atual sistema político.
Para uma parcela significativa dos eleitores, a situação em Gaza e a defesa da causa palestina ocupam o centro das preocupações. A antropóloga Francirosy Campos Barbosa, vinculada à USP, aponta que esse tema ganhou força nesta eleição, criando uma identificação maior entre esses eleitores e as diretrizes de política externa propostas pelo candidato petista.
Por outro lado, existe um contingente que ignora o cenário internacional para focar em pautas domésticas. Esse grupo, movido por um forte sentimento antipetista e pela preocupação com a segurança pública, busca alternativas ao atual governo, priorizando mudanças na gestão interna do país em detrimento de questões geopolíticas.
O sheik Mohamad Al Bukao, que lidera a Mesquita Brasil em São Paulo, adotou uma postura de neutralidade institucional. Ele afirmou que não cabe à liderança religiosa ditar o voto dos fiéis, incentivando que cada um decida conforme sua própria consciência. O religioso também manifestou preocupação com o uso da fé como ferramenta de manipulação política, classificando essa prática como um risco para a sociedade.
Em resumo
- A comunidade muçulmana está dividida entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno.
- A causa palestina é um fator decisivo para eleitores alinhados à política externa de Lula.
- O antipetismo e a segurança pública guiam o voto de outra parte da comunidade.
- Lideranças religiosas enfatizam a autonomia do voto e alertam contra a instrumentalização da fé.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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