A estratégia do coringa: Marçal tenta equilibrar elogios a Lula e tática do medo na campanha de Flávio Bolsonaro
Em evento com influenciadores, Pablo Marçal reconheceu feitos do governo Lula, mas usou metáfora para pedir fim de ciclo e orientou campanha bolsonarista a apostar no medo.

Foto: Flávio Marçal durante evento de campanha de Flávio Bolsonaro. Reprodução · Original e licença
Durante um encontro com influenciadores da campanha de Flávio Bolsonaro, realizado em Barueri no dia 20 de outubro, o empresário Pablo Marçal adotou uma postura ambígua ao comentar a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O influenciador, que se autodenomina um coringa na disputa eleitoral, pediu que a base bolsonarista evitasse ataques pessoais ao petista. Marçal justificou a posição mencionando que o presidente teria se dedicado ao combate à pobreza e à ampliação do acesso ao ensino superior, sugerindo que o adversário entregou o que era possível dentro de sua capacidade.
Apesar do reconhecimento, o tom de Marçal mudou ao abordar a continuidade do governo. Utilizando uma laranja como recurso visual, ele comparou o presidente a um fruto que já teve todo o seu suco extraído, consumindo o bagaço diante dos presentes para ilustrar que, em sua avaliação, o ciclo político de Lula estaria encerrado. O influenciador reforçou a necessidade de justiça social e distribuição de renda, mas insistiu que o momento exige uma mudança de comando, declarando que o presidente deveria aceitar o fim de sua trajetória.
Nos bastidores, a influência de Marçal tem gerado divergências entre os aliados de Flávio Bolsonaro. Enquanto o coach orienta a militância digital a vender o medo de uma possível vitória petista e celebra o que chama de acesso ao cérebro do presidente após debates, setores do PL e do centrão veem a postura agressiva como um erro estratégico. Há uma pressão interna para que o candidato do PL adote um comportamento mais moderado no próximo debate da TV Globo, visando não afastar o eleitorado indeciso.
O histórico de Marçal permanece como um ponto de atenção na campanha. O influenciador foi condenado pela Justiça paulista em fevereiro de 2026 a pagar uma indenização de R$ 100 mil por ter divulgado um laudo médico falso contra Guilherme Boulos. Além disso, registros judiciais apontam que ele foi condenado em 2010 por envolvimento em fraudes bancárias, embora a punibilidade tenha sido extinta em 2018 devido à prescrição retroativa.
Em resumo: - Pablo Marçal reconheceu avanços sociais do governo Lula, mas defendeu a alternância de poder comparando o presidente a um bagaço de laranja. - O influenciador orientou a campanha bolsonarista a investir no medo como ferramenta eleitoral. - A postura de Marçal causa divisões internas no PL, com aliados temendo que seu estilo agressivo prejudique o desempenho de Flávio Bolsonaro.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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