Governo de extrema-direita no Chile derrete com 65% de rejeição após sete meses
A gestão de José Antonio Kast, aliado da família Bolsonaro, enfrenta crise econômica, desemprego em alta e protestos nas ruas chilenas.

O governo de extrema-direita de José Antonio Kast no Chile atravessa uma crise de popularidade sem precedentes, apenas sete meses após sua posse. De acordo com a pesquisa Cadem, divulgada em 18 de outubro, a desaprovação à gestão do presidente — que conta com o apoio político de Flávio Bolsonaro — atingiu a marca de 65%, enquanto a aprovação estagnou em 30%.
O cenário de desgaste é impulsionado por uma economia estagnada e indicadores sociais preocupantes. O desemprego no país alcançou 9,6% no trimestre encerrado em agosto, com um aumento de 13% no número de pessoas sem ocupação em comparação ao ano anterior. Paralelamente, as projeções de crescimento do PIB para 2026 foram drasticamente reduzidas, caindo de 0,7% para 0,2% segundo o Banco Central chileno, enquanto o FMI revisou sua estimativa de 2,4% para 0,6%.
A promessa de campanha de endurecer a segurança pública também se tornou um calcanhar de Aquiles. O governo foi forçado a retirar do Congresso uma reforma constitucional voltada ao combate ao crime organizado, após enfrentar resistência até mesmo de parlamentares da base aliada, que temiam abusos de poder. Especialistas apontam que a falta de articulação política e medidas consideradas sensacionalistas, como o uso de drones e valas na fronteira, não têm surtido efeito prático na percepção de segurança da população.
O descontentamento transbordou para as ruas de Santiago, onde manifestações marcaram os sete anos do 'estallido social' de 2019, evidenciando que as demandas por justiça social seguem latentes. A crise de popularidade de Kast, que também afeta outros governos de direita na América Latina, reflete um distanciamento crescente entre o Palácio de La Moneda e as expectativas dos eleitores.
Em resumo
- A desaprovação de José Antonio Kast chegou a 65%, o pior índice desde o início do mandato.
- O desemprego atingiu 9,6% e a previsão de crescimento do PIB para 2026 caiu para 0,2%.
- O governo recuou em uma reforma constitucional de segurança após críticas de aliados e oposição.
- Protestos em Santiago reforçaram a insatisfação popular com a condução econômica e social do país.
Fonte: Brasil 247

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