Política · Justiça

Rui Falcão questiona pagamentos de R$ 4 milhões a Flávio Bolsonaro antes de votação no Senado

Deputado do PT acionou a PGR para investigar repasses feitos por um integrante do CNMP ao escritório do senador, levantando suspeitas de troca de favores políticos.

O deputado federal Rui Falcão (PT-SP) formalizou um pedido de investigação criminal junto à Procuradoria-Geral da República contra o senador Flávio Bolsonaro. O parlamentar busca esclarecimentos sobre o recebimento de R$ 4 milhões pelo escritório do senador, montante transferido pela banca de advocacia de Edvaldo Nilo de Almeida, que atua no Conselho Nacional do Ministério Público.

A representação aponta que o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu duas notas fiscais de R$ 2 milhões cada, nos meses de agosto e outubro de 2025, sob a rubrica de assessoria jurídica. O documento enviado à PGR destaca a ausência de informações sobre quais clientes ou processos teriam justificado tais valores. O ponto central da denúncia é a proximidade temporal entre esses pagamentos e a votação no Senado, ocorrida em 12 de novembro de 2025, na qual Flávio Bolsonaro apoiou a recondução de Nilo ao cargo no CNMP.

Falcão solicitou que o Ministério Público Federal requisite relatórios do Coaf, além de pedir a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos para rastrear a origem e o destino do dinheiro. O deputado também quer que sejam apresentados os contratos que fundamentaram as notas fiscais, visando verificar se houve atuação do senador em causas de interesse público, o que poderia configurar infração ética e legal grave.

Em sua defesa, o advogado Edvaldo Nilo de Almeida sustentou que os valores correspondem a serviços prestados a clientes do setor privado, embora não tenha revelado a identidade dos beneficiários. O caso agora está sob análise da PGR, que deve avaliar se há elementos para abrir um inquérito formal sobre possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, além de verificar conexões com outras investigações em curso no Supremo Tribunal Federal.

Em resumo: - Rui Falcão acionou a PGR para investigar R$ 4 milhões pagos pela banca de Edvaldo Nilo ao escritório de Flávio Bolsonaro. - O senador votou pela recondução de Nilo ao CNMP semanas após receber os pagamentos. - O pedido inclui quebra de sigilo e rastreamento financeiro para apurar a natureza dos serviços prestados.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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