Política · Justiça · Mundo

Entidades brasileiras denunciam Meta ao Congresso dos EUA por interferência eleitoral

Instituto Vladimir Herzog e CTRL+Z acionam parlamentares americanos para investigar suposto favorecimento da Meta à candidatura de Flávio Bolsonaro e o uso de anúncios estrangeiros.

O Instituto Vladimir Herzog e a organização CTRL+Z enviaram uma solicitação formal ao Congresso dos Estados Unidos pedindo uma investigação rigorosa sobre a conduta da Meta durante o pleito brasileiro. As entidades argumentam que a controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp pode ter atuado de forma desigual, prejudicando a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enquanto favorecia o candidato Flávio Bolsonaro.

A iniciativa, protocolada na quarta-feira (21), baseia-se em uma série de evidências, incluindo relatos de usuários e estudos acadêmicos. A CTRL+Z compilou 1.121 denúncias de pessoas que afirmam ter sofrido restrições, como suspensão de contas e queda no alcance de publicações, afetando majoritariamente apoiadores de Lula, jornalistas e movimentos sociais. Paralelamente, a própria Meta admitiu falhas em seus sistemas de inteligência artificial que permitiam a criação de imagens eleitorais de Flávio Bolsonaro, mas bloqueavam conteúdos similares sobre o petista.

Outro ponto crítico levado aos congressistas americanos diz respeito ao financiamento externo de propaganda política. Um levantamento realizado pelo NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, detectou 1.613 anúncios eleitorais pagos a partir de outros países entre julho e setembro de 2026. A maior parte dessas publicações teve origem nos Estados Unidos, levantando questionamentos sobre a transparência e a origem dos recursos que impactam o debate público no Brasil.

A movimentação internacional ocorre em meio a uma disputa jurídica intensa no país. O Tribunal Superior Eleitoral, por meio de decisão do ministro Marco Aurélio Bellizze em 14 de outubro, ordenou que a Meta assegurasse condições isonômicas de visibilidade para ambos os candidatos. A Corte, que posteriormente elevou a multa diária para R$ 1 milhão em caso de descumprimento, busca conter o desequilíbrio na exposição digital. Mensagens internas da própria empresa, reveladas pela imprensa, teriam confirmado que contas ligadas a Lula sofreram limitações, enquanto o perfil de Flávio Bolsonaro aparecia indevidamente em recomendações algorítmicas.

Em resposta, a Meta declarou que os episódios foram causados por problemas técnicos isolados e negou qualquer intenção de beneficiar ideologicamente um dos lados. Contudo, as organizações brasileiras insistem na necessidade de uma auditoria independente e externa, além de cobrarem que as empresas americanas respeitem a soberania e as normas eleitorais brasileiras. O Instituto Vladimir Herzog também tem buscado apoio diplomático, tendo se reunido com representantes de embaixadas e da União Europeia para discutir preocupações sobre a integridade do processo eleitoral.

Em resumo: - Entidades civis pedem ao Congresso dos EUA investigação sobre a Meta por suspeita de viés eleitoral. - Estudo da UFRJ identificou 1.613 anúncios políticos financiados do exterior, principalmente dos EUA. - TSE determinou tratamento igualitário entre candidatos após denúncias de restrições a Lula. - Meta nega favorecimento deliberado e atribui os problemas a falhas técnicas nos algoritmos.

Fonte: Brasil 247

COMECE A CONVERSA

O que você acha desta notícia?

Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.

Comentários

Próxima notíciaProposta de ajuste fiscal de Flávio Bolsonaro ameaça milhões de empregos e renda