Cardozo aponta caminho para Lula superar Congresso hostil em possível novo mandato
Ex-ministro da Justiça defende a criação de um eixo democrático com setores de centro-direita e maior participação popular para garantir a governabilidade.

O ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, avalia que um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentará desafios estruturais significativos. Em entrevista ao programa Boa Noite 247, Cardozo destacou que a atual configuração do Congresso Nacional, marcada por uma forte presença da extrema direita, impõe obstáculos que exigirão uma estratégia política renovada para assegurar a governabilidade.
Para o ex-ministro, o sistema político brasileiro caminha para uma ingovernabilidade crônica, independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto. Ele aponta que o modelo atual de emendas parlamentares impositivas retira autonomia do Poder Executivo, centralizando o poder orçamentário no Legislativo e dificultando a implementação de prioridades governamentais.
Diante desse cenário, Cardozo defende que a solução passa pela construção de um "eixo democrático". A proposta consiste em ampliar a base de apoio para além dos partidos de esquerda, atraindo setores de centro-direita que, embora possuam divergências programáticas com o PT, mantenham compromisso com o regime democrático. Segundo ele, essa articulação é a única saída viável para enfrentar a resistência parlamentar.
Além da negociação institucional, o ex-ministro enfatiza a necessidade de radicalizar a participação popular na formulação de políticas públicas. Para Cardozo, o governo deve abrir o Estado à sociedade para fortalecer a democracia e isolar forças autoritárias. Ele reconhece que a estratégia envolve riscos, mas sustenta que a abertura ao diálogo é essencial para garantir a legitimidade das ações do Executivo.
Em resumo
- O sistema político brasileiro é visto como estruturalmente propenso à ingovernabilidade.
- Cardozo propõe uma aliança com setores de centro-direita para formar um eixo democrático no Congresso.
- O uso de emendas impositivas é apontado como um entrave à autonomia do governo.
- A ampliação da participação social é sugerida como ferramenta para fortalecer a democracia contra o autoritarismo.
Fonte: Brasil 247

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