Política · Justiça

TSE libera algoritmos para derrotados e aperta cerco sobre mobilização digital

Kassio Nunes Marques autoriza Meta a recomendar perfis fora do segundo turno, enquanto tribunal exige dados sobre o canal de André Janones e investiga alcance de aliados bolsonaristas.

O comando do Tribunal Superior Eleitoral, sob a presidência do ministro Kassio Nunes Marques, flexibilizou as regras de impulsionamento algorítmico nas plataformas da Meta. A decisão permite que perfis de políticos que já foram eliminados da corrida eleitoral voltem a ser sugeridos automaticamente para usuários que não os seguem. A medida beneficia figuras da extrema-direita, como Nikolas Ferreira, Pablo Marçal e Michelle Bolsonaro, que haviam solicitado a mudança ao magistrado em meados de outubro.

Apesar da liberação, o tribunal manteve o bloqueio de recomendações automáticas para todos os nomes que seguem na disputa do segundo turno. Isso significa que as contas oficiais de Lula e de Flávio Bolsonaro continuam sob restrição, sem poder contar com o auxílio do algoritmo para alcançar novos públicos de forma automática. A Meta deve agora ajustar seus sistemas para diferenciar quem ainda está no páreo de quem já encerrou sua participação no pleito.

Paralelamente, o TSE intensificou a fiscalização sobre as estratégias de comunicação digital. Kassio Nunes Marques deu um prazo de 24 horas para que a Meta explique como funciona o canal Exército do Lula, coordenado pelo deputado André Janones. O tribunal quer entender os critérios da plataforma para distinguir o que seria uma mobilização espontânea de apoiadores de um possível comportamento coordenado, embora não tenha decretado qualquer punição ou suspensão ao canal até o momento.

Em outra frente de apuração, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, impôs um prazo rigoroso de 12 horas para que a empresa entregue dados detalhados sobre o alcance das publicações de Nikolas Ferreira e Pablo Marçal. A determinação inclui uma multa diária de 100 mil reais por hora de atraso e faz parte de um processo que investiga suspeitas de abuso de poder nas redes sociais.

Em resumo: - O TSE autorizou a Meta a retomar recomendações de perfis de políticos que não disputam o segundo turno. - Candidatos que seguem na eleição, como Lula e Flávio Bolsonaro, permanecem proibidos de usar recomendações automáticas. - A Meta deve explicar ao tribunal os critérios de moderação do canal Exército do Lula. - O corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva exigiu dados sobre o alcance de Nikolas Ferreira e Pablo Marçal sob ameaça de multa pesada.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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