Justiça Eleitoral aperta o cerco contra impulsionamento suspeito nas redes
O TSE deu prazo de 12 horas para a Meta detalhar como algoritmos distribuem conteúdos de aliados de Bolsonaro, após denúncia de alcance artificial feita pela campanha de Lula.

O Tribunal Superior Eleitoral impôs um prazo rigoroso à Meta para que a empresa esclareça o funcionamento de seus algoritmos de entrega. A decisão, proferida pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cuevas, exige que a gigante da tecnologia explique em até meio dia como perfis de figuras como Nikolas Ferreira, Pablo Marçal, Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar obtiveram números de visualizações considerados atípicos durante o segundo turno.
A medida é um desdobramento de um processo movido pela coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A equipe jurídica do petista sustenta que houve uma possível manipulação na distribuição de conteúdos, o que teria inflado artificialmente a audiência de publicações da oposição. Caso a Meta não entregue os dados técnicos solicitados, a multa estipulada é de 100 mil reais por hora de atraso.
O magistrado quer entender a fundo a origem das visualizações, diferenciando o que é fruto de engajamento orgânico de seguidores do que teria sido impulsionado por recomendações automáticas da plataforma. O caso ganhou contornos de urgência após um vídeo de Nikolas Ferreira atingir a marca de 160 milhões de visualizações, um volume que, segundo a acusação, supera o desempenho de grandes estrelas globais e levanta dúvidas sobre a neutralidade do sistema de entrega da rede social.
Para embasar a necessidade de transparência, o ministro também apontou variações observadas no comportamento de métricas em outras redes, como o X, onde a retirada de filtros de recomendação alterou drasticamente a proporção de alcance para quem não seguia o parlamentar. O tribunal busca, com isso, identificar se houve uma entrega privilegiada de material político.
Em sua defesa, a Meta afirmou que não concede tratamento diferenciado a políticos. A empresa sustentou que o alcance é ditado pelo comportamento dos usuários, como curtidas e compartilhamentos, e que conteúdos com alto engajamento tendem a ser entregues para mais pessoas, independentemente da base de seguidores da conta.
Em resumo: - O TSE ordenou que a Meta explique em 12 horas o alcance de perfis bolsonaristas sob risco de multa pesada. - A campanha de Lula questiona se houve amplificação algorítmica artificial de conteúdos. - O foco da investigação é um vídeo de Nikolas Ferreira que alcançou 160 milhões de visualizações. - A Meta nega favorecimento e alega que o alcance é resultado do engajamento orgânico dos usuários.
Fonte: Revista Fórum

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