Política · Economia

Campanha de Flávio Bolsonaro sinaliza cortes em direitos e cogita estender mandato presidencial

Coordenadora econômica da candidatura admite revisão de benefícios sociais e equipe discute medidas de austeridade, enquanto o candidato articula mudanças no tempo de permanência no poder.

A equipe econômica que assessora a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República colocou em pauta a possibilidade de promover cortes em benefícios previdenciários e no salário mínimo. Em entrevista ao podcast Market Makers, a coordenadora do grupo, Daniella Marques, revelou que o plano de governo inclui um cardápio com cerca de 300 alternativas para reduzir despesas públicas, com o objetivo de implementar ajustes logo no início de uma eventual gestão.

Ao abordar a estratégia para reorganizar as contas do país, Marques argumentou que o governo precisaria demonstrar disposição para cortar na própria carne antes de propor mudanças estruturais. A fala trouxe à tona o receio de que a equipe adote medidas de desindexação, similares às discutidas no passado, que poderiam impactar o poder de compra de trabalhadores e aposentados ao desvincular os reajustes da inflação real.

O cenário econômico desenhado pela campanha é acompanhado por movimentações políticas que geram questionamentos sobre a duração do mandato presidencial. Durante a mesma entrevista, a coordenadora mencionou que o país só passaria por um novo processo eleitoral daqui a oito anos, uma declaração que repercutiu negativamente ao ser associada às falas do próprio Flávio Bolsonaro sobre a extensão do período de governo.

O candidato tem defendido publicamente a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição para extinguir a reeleição, mas não descartou a possibilidade de ampliar o mandato de quatro para cinco anos, inclusive para quem vencer o pleito de 2026. Juristas alertam que tal manobra, se aplicada após a eleição, poderia ferir cláusulas pétreas da Constituição, que asseguram a periodicidade do voto popular.

Em resumo: - Coordenadora econômica admite que a campanha estuda cortes na Previdência e no salário mínimo. - Equipe prepara um pacote com 300 medidas de redução de gastos para o início de um eventual governo. - Flávio Bolsonaro articula o fim da reeleição, mas mantém aberta a possibilidade de ampliar o mandato atual para cinco anos. - Especialistas apontam que a extensão do mandato após a eleição pode violar garantias constitucionais.

Fonte: ICL Notícias

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