A estratégia de Flávio Bolsonaro para livrar PM acusado de matar criança em Niterói
Senador Flávio Bolsonaro atuou na defesa de policial militar réu pela morte de Ana Clara, de 5 anos, em operação no Rio de Janeiro.

Foto: Ana Clara e Flávio Bolsonaro Crédito: Reprodução/Redes sociais | Carlos Moura/Agência Senado · Original e licença
A atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL) na defesa do cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delaroli, acusado de matar a menina Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, revelou uma articulação que envolveu visitas a gabinetes de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O parlamentar integrou a equipe jurídica em abril de 2024, sem cobrar honorários, com o objetivo de impedir que o policial fosse submetido ao Tribunal do Júri.
Segundo apuração do jornal O Globo, o convite partiu do advogado criminalista Paulo Márcio Ennes Klein, presidente do Instituto Família Policial. Klein possui histórico de proximidade com o grupo político do senador, tendo atuado na defesa de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio investigado no caso das 'rachadinhas'. A estratégia da defesa buscava desclassificar a acusação de homicídio doloso para culposo, transferindo o julgamento para a Justiça Militar.
O caso ganhou contornos eleitorais durante a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o campo bolsonarista. Em debate na Band, o presidente Lula questionou a postura do senador em tentar evitar o júri popular para um acusado de tirar a vida de uma criança. Em resposta, Flávio Bolsonaro alegou que o adversário estaria criminalizando o exercício da advocacia.
Apesar dos esforços, a estratégia jurídica fracassou. O STJ e, posteriormente, o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitaram os recursos, confirmando que o policial deverá enfrentar o Tribunal do Júri. O julgamento, inicialmente previsto para outubro de 2026, foi adiado para maio de 2027 devido a uma mudança na agenda da juíza responsável, que assumiu funções como desembargadora substituta.
Ana Clara foi atingida por um disparo de fuzil 7,62mm em fevereiro de 2021, enquanto brincava na porta de casa em Niterói. Investigações do Ministério Público apontaram inconsistências na versão dos policiais, que alegaram confronto, e indicaram que o disparo ocorreu em área residencial, mesmo após alertas de moradores sobre a presença de civis.
Em resumo
- Flávio Bolsonaro atuou sem honorários na defesa de PM acusado de homicídio qualificado.
- A estratégia visava evitar o júri popular, mas foi derrotada em instâncias superiores.
- O caso gerou embate político durante a campanha presidencial de 2026.
- O julgamento do réu foi remarcado para maio de 2027 por questões administrativas da magistrada.
Fonte: Brasil 247

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