Política

Comportamento de Flávio Bolsonaro em debate dispara gatilhos de violência psicológica em mulheres

Psicóloga analisa como a postura do candidato do PL durante o confronto com Lula reflete táticas de manipulação e gaslighting comuns em relacionamentos abusivos.

Foto: Instagram/caroltilkian_amorespossiveis · Original e licença

O primeiro debate do segundo turno entre o presidente Lula (PT) e o candidato Flávio Bolsonaro (PL), transmitido pela Band no último domingo (18), gerou uma onda de desconforto entre telespectadoras. Segundo a psicóloga e psicanalista Carol Tilkian, o comportamento exibido pelo candidato do PL durante o programa reativou traumas e memórias de violência psicológica vividas por muitas mulheres em seus próprios lares.

Em entrevista ao ICL Notícias, a especialista relatou que seu consultório foi tomado por pacientes que identificaram no candidato táticas de manipulação, como a recusa em responder perguntas, o uso de ironias, o deboche direcionado à plateia e a inversão de culpa. Para Tilkian, esses movimentos, quando transpostos para o ambiente doméstico, configuram o chamado gaslighting, uma forma de abuso onde a vítima é levada a duvidar da própria percepção e sanidade.

A psicóloga destaca que o deboche, em particular, funciona como uma ferramenta de exclusão e agressão. Ao recorrer a conceitos de Freud, ela explica que o riso hostil busca aliados para legitimar uma violência que, sem a presença de terceiros, seria facilmente identificada como tal. Tilkian aponta que essa dinâmica é frequentemente utilizada por agressores para desqualificar as queixas das mulheres, rotulando-as como 'ciumentas' ou 'desequilibradas' para evitar o confronto direto.

A análise de Tilkian também associa a postura de Flávio Bolsonaro a uma estratégia de manipulação que prioriza o espetáculo e os cortes para redes sociais, método que ela atribui à influência do coach Pablo Marçal. A especialista manifesta preocupação com a possível normalização da agressividade masculina caso esse padrão de comportamento seja validado nas urnas, especialmente quando justificado por um discurso que invoca valores familiares de forma distorcida.

Em resumo

  • O debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na Band provocou reações físicas e emocionais em mulheres que reconheceram padrões de abuso psicológico.
  • A psicóloga Carol Tilkian identifica táticas de manipulação como gaslighting e deboche na conduta do candidato do PL.
  • A especialista alerta que a naturalização desse comportamento no discurso público pode agravar a violência doméstica e o descrédito das vítimas.
  • O segundo turno das eleições ocorre em 25 de outubro, com o último debate marcado para esta sexta-feira (23), na TV Globo.

Fonte: ICL Notícias

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