Política · Justiça

As movimentações financeiras sob suspeita no histórico de Flávio Bolsonaro

Investigação sobre o período na Alerj apontou depósitos fracionados em espécie e despesas incompatíveis com a renda declarada do atual candidato à Presidência.

Foto: Flávio Bolsonaro na Alerj. Foto: Reprodução · Original e licença

Durante o período em que ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro foi alvo de apurações que miraram o fluxo de recursos em suas contas bancárias. Documentos analisados pelo Ministério Público fluminense revelaram que, entre 2007 e 2018, foram realizados 184 depósitos em dinheiro vivo, totalizando R$ 474 mil. A prática de fracionar valores, frequentemente em parcelas de R$ 2 mil, foi interpretada pelos investigadores como uma estratégia para ocultar a origem dos montantes, enquadrando-se, segundo o órgão, em padrões típicos de lavagem de dinheiro.

A promotoria formalizou a acusação contra o político no penúltimo mês de 2020, imputando-lhe os crimes de peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. A tese central do Ministério Público era de que o patrimônio do então deputado teria sido inflado por meio de desvios de salários de servidores de seu gabinete. Além disso, os registros indicaram que, entre 2010 e 2014, o casal gastou quase R$ 1 milhão acima do que seria possível com suas rendas lícitas. Imagens de câmeras de segurança chegaram a registrar o ex-assessor Fabrício Queiroz efetuando pagamentos em espécie de mensalidades escolares das filhas do parlamentar.

Embora o Superior Tribunal de Justiça tenha invalidado a quebra de sigilo bancário no início de 2021, os dados coletados anteriormente compuseram o cenário das investigações. Após chegar ao Senado, Flávio adquiriu uma mansão avaliada em quase R$ 6 milhões. Mais recentemente, um escritório de advocacia aberto pelo político no mesmo endereço de sua residência chamou a atenção pelo volume de faturamento, tendo emitido R$ 13,7 milhões em notas fiscais entre 2023 e meados de 2026.

Em resumo: - O Ministério Público acusou Flávio Bolsonaro em novembro de 2020 por crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. - Foram identificados R$ 474 mil em depósitos fracionados em espécie durante o mandato na Alerj. - Investigadores apontaram que despesas do casal superaram as receitas lícitas em R$ 978 mil entre 2010 e 2014. - Escritório de advocacia do parlamentar registrou R$ 13,7 milhões em notas fiscais entre 2023 e julho de 2026.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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