Política

Avanço da extrema direita nas urnas gera apreensão no terceiro setor sobre retrocessos sociais

Lideranças de ONGs e movimentos sociais alertam para riscos institucionais, ambientais e de segurança alimentar diante do fortalecimento de candidaturas conservadoras.

Foto: Avanço da extrema direita acende alerta em ONGs que defendem direitos e ambiente. (Foto: Orlando K Junior/Divulgação) · Original e licença

O resultado do primeiro turno das eleições brasileiras acendeu um sinal de alerta entre lideranças do terceiro setor. Representantes de organizações que atuam nas áreas social e ambiental manifestam preocupação com a possibilidade de retrocessos em políticas públicas e o enfraquecimento institucional caso o campo da extrema direita consolide seu avanço no cenário político nacional.

Entre os principais temores listados por especialistas estão o aumento do desmatamento, a possível volta do Brasil ao Mapa da Fome da ONU — do qual o país saiu em 2025 —, a intensificação da violência policial em comunidades e o desmonte de espaços de participação social. A preocupação ganha contornos práticos com a escalada de incêndios florestais na Amazônia, que, segundo o presidente do Ibama, Jair Schmitt, estariam sendo impulsionados por motivações ideológicas.

Caetano Scannavino, coordenador-geral do Projeto Saúde & Alegria, aponta que a disputa política tem servido de combustível para crimes ambientais. O dirigente, que já foi alvo de perseguições judiciais infundadas no passado, teme que um eventual governo alinhado ao bolsonarismo reitere práticas de criminalização de quem atua na defesa do meio ambiente. O cenário é visto como crítico, especialmente com a eleição de candidaturas que defendem a flexibilização de leis ambientais e a exploração de terras indígenas.

A análise sobre o encolhimento do espaço cívico é compartilhada por Laís de Figueirêdo Lopes, do Conselho Nacional de Fomento e Colaboração (Confoco). Ela recorda que gestões anteriores de extrema direita utilizaram decretos para extinguir colegiados e sufocar a participação da sociedade civil na formulação de políticas públicas. Para a especialista, o Poder Executivo detém a chave para direcionar recursos ou inviabilizar o trabalho de fiscalização e denúncia.

No campo da segurança alimentar, Rodrigo ‘Kiko’ Afonso, da Ação da Cidadania, alerta que a visão de mercado sobre o agronegócio pode atropelar a agricultura familiar, essencial para o abastecimento interno. A mesma preocupação é ecoada por José Dias, do Centro de Educação Popular e Formação Social (Cepfs), que critica a ausência de propostas concretas para o semiárido e a falta de compromisso com a agenda climática por parte de nomes como Flávio Bolsonaro (PL).

Nas periferias, a apreensão também é alta. Eliana Sousa Silva, fundadora da Redes de Maré, destaca que a ascensão de pautas antidemocráticas tende a agravar a violência estatal contra populações vulneráveis. Segundo a educadora, a interrupção de direitos básicos e o corte de parcerias internacionais são riscos reais que desafiam a continuidade do trabalho social nas favelas.

Em resumo

  • Lideranças do terceiro setor temem retrocessos ambientais e sociais com o avanço da extrema direita.
  • Há denúncias de que motivações políticas estariam incentivando queimadas na Amazônia.
  • Especialistas alertam para o risco de desmonte de conselhos e da participação social na gestão pública.
  • Organizações sociais preveem ameaças à segurança alimentar e aos direitos de populações em favelas.

Fonte: ICL Notícias

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