Política · Justiça

Advocacia de Flávio Bolsonaro no STJ coincide com agenda de campanha e votação no Senado

Senador Flávio Bolsonaro protocolou petição em processo no STJ no mesmo dia em que participou de comício e votou em sessão remota do Senado.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mantém uma atuação jurídica ativa em paralelo à sua campanha presidencial. Segundo apuração da Folhapress, o parlamentar atua na defesa do empresário Mário Gadelha Simas Filho, em um processo que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O caso envolve uma disputa societária na Simas Industrial de Alimentos, uma das maiores fabricantes de doces do país, e conta também com a participação do advogado Willer Tomaz, figura próxima ao senador e alvo de investigações da Polícia Federal.

A dedicação de Flávio ao processo chamou a atenção pela coincidência de datas. No último dia 14, enquanto cumpria agenda de campanha em um comício em Porto Alegre e registrava presença remota em uma sessão do Senado para votar a PEC que extingue a escala 6x1, o senador protocolou uma petição no STJ às 23h23. O documento, endereçado à ministra Daniela Teixeira, solicita a rejeição de embargos de declaração apresentados pela parte contrária.

A relação entre Flávio e Willer Tomaz é objeto de um inquérito da Polícia Federal que apura suspeitas de lavagem de dinheiro. Documentos da investigação apontam que o senador teria tido acesso de 'usuário master' a uma conta bancária da holding Alcazar, ligada a Willer, com poderes de gerenciamento operacional até maio de 2025. Além disso, o escritório de advocacia de Flávio, que funciona em sua residência em Brasília e não possui funcionários formais, emitiu R$ 3,3 milhões em notas fiscais para a Simas Industrial de Alimentos entre 2023 e 2024.

Procurados pela reportagem, nem o senador nem Willer Tomaz se manifestaram sobre a atuação conjunta no processo. Em ocasiões anteriores, a defesa de ambos negou irregularidades, classificando a relação como uma amizade entre famílias e sustentando que as atividades profissionais são lícitas. A empresa Simas também não respondeu aos questionamentos.

Em resumo

  • Flávio Bolsonaro atua como advogado de um cliente que também é defendido pelo aliado Willer Tomaz, investigado pela PF.
  • O senador protocolou petição no STJ no mesmo dia em que participou de comício e votou no Senado.
  • O escritório de Flávio recebeu R$ 3,3 milhões da empresa cliente entre 2023 e 2024.
  • Investigação da PF aponta que o senador teve acesso operacional a conta bancária de holding ligada a Willer Tomaz.

Fonte: ICL Notícias

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