Novos documentos revelam elo entre advogado de offshore de Flávio Bolsonaro e escritório investigado
Apuração aponta que administrador de offshore ligada a jatinho usado pelo senador atuava simultaneamente em banca sob investigação da Polícia Federal.

Foto: Republica dos Laranjas; Offshore de Willer Tomaz - Flávio Bolsonaro em ato na Paulista. No detalhe, com Willer Tomaz (Charles Vieira / Divulgação da campanha) · Original e licença
Uma nova camada de conexões envolvendo o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) veio à tona nesta quinta-feira (22). Segundo informações divulgadas pelo jornalista Cléber Lourenço, do ICL Notícias, o advogado Mateo Scudeler, responsável pela administração de uma offshore ligada ao jatinho utilizado pelo parlamentar, mantinha vínculos profissionais simultâneos com o escritório Aragão & Tomaz, alvo de investigações da Polícia Federal.
Documentos oficiais da Câmara dos Deputados e registros judiciais confirmam que Scudeler atuava na banca de Willer Tomaz e do ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão enquanto gerenciava a Alcazar Holdings. Esta offshore, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, detém participação no jato Legacy 650 (matrícula PP-NLR), aeronave frequentemente utilizada por Flávio Bolsonaro. O senador e Willer Tomaz, que é amigo pessoal do candidato, negam qualquer irregularidade financeira e classificam como erro cadastral o fato de o nome de Flávio aparecer como 'usuário master' de uma conta vinculada à empresa.
A atuação de Scudeler no escritório Aragão & Tomaz ficou evidente em documentos de 2023, quando ele assinou uma petição para a Kaizen Gaming, operadora da plataforma de apostas Betano, durante a CPI da Manipulação de Resultados no Futebol. Na ocasião, ele se apresentou como advogado sênior da banca. Além disso, o administrador da offshore também presidiu a Opera Legal, associação de empresas de apostas que teve o ex-ministro Eugênio Aragão como representante jurídico em processos no Supremo Tribunal Federal.
O cenário de incertezas jurídicas se intensifica com a movimentação societária no escritório. Eugênio Aragão confirmou ao ICL Notícias que comunicou seu desligamento da sociedade com Willer Tomaz em 5 de outubro, logo após o primeiro turno das eleições. A formalização da saída está prevista para o próximo dia 26. Vale lembrar que Willer Tomaz é investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraudes em benefícios do INSS, e teve seu escritório alvo de buscas autorizadas pelo ministro André Mendonça, do STF, em agosto.
Em resumo
- Mateo Scudeler administrou a offshore Alcazar Holdings, dona de parte do jatinho usado por Flávio Bolsonaro, entre 2023 e 2026.
- Documentos provam que Scudeler atuava no escritório Aragão & Tomaz enquanto exercia a gestão da offshore.
- O advogado também presidiu uma associação de bets que utilizava os serviços jurídicos do mesmo escritório.
- Eugênio Aragão confirmou que está deixando a sociedade com Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal.
Fonte: Revista Fórum

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