O custo da 'motosserra': indicadores da Argentina de Milei contrastam com promessas de Flávio Bolsonaro
Enquanto a equipe econômica de Flávio Bolsonaro busca inspiração no modelo argentino, dados oficiais revelam fechamento de empresas, desemprego e alta na pobreza no país vizinho.

Foto: Javier Milei e Flávio Bolsonaro - Javier Milei e Flávio Bolsonaro (Foto: Presidência da Argentina) · Original e licença
O modelo econômico implementado pelo presidente argentino Javier Milei, frequentemente citado como referência pela equipe de Flávio Bolsonaro (PL), tornou-se um ponto de tensão no debate político brasileiro. Durante o confronto na Band, o senador foi questionado pelo presidente Lula (PT) sobre a viabilidade da proposta, mas evitou detalhar quais medidas do país vizinho pretende adotar caso eleito.
Apesar da defesa entusiasta feita por Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio, os dados mais recentes da economia argentina pintam um cenário de dificuldades estruturais. Levantamento do centro de pesquisas Fundar aponta que, entre novembro de 2023 e junho de 2026, a Argentina registrou o fechamento de 31.342 empresas, uma retração que atingiu a maioria dos setores produtivos e províncias do país.
O mercado de trabalho também sofreu impactos severos. Segundo o Centro de Economia Política Argentina (Cepa), o país perdeu cerca de 245,6 mil empregos formais no setor privado no mesmo período. Embora tenha havido um crescimento no trabalho autônomo, especialistas alertam para a precarização das relações laborais. No segundo trimestre de 2026, a taxa de desemprego alcançou 7,9%, conforme dados do Indec.
Os indicadores sociais refletem a crise no setor produtivo. A pobreza atingiu 32,3% da população no primeiro semestre de 2026, superando os 28,2% do semestre anterior, enquanto a extrema pobreza subiu para 7,5%. Por outro lado, a inflação anual apresentou uma queda expressiva, saindo de 289% em abril de 2024 para 33,5% em agosto de 2026. O economista Paulo Gala, da FGV-SP, observa que essa estabilização ocorreu sob o custo de uma forte perda de competitividade industrial e redução do consumo.
Mesmo diante desses números, o programa de governo de Flávio Bolsonaro mantém o foco em cortes de gastos, desregulamentação e redução da estrutura estatal, medidas que o candidato já associou publicamente à política de austeridade de Milei. O debate sobre a eficácia desse modelo segue aberto, confrontando a promessa de ajuste fiscal com a realidade de retração econômica observada na Argentina.
Em resumo
- A Argentina perdeu mais de 31 mil empresas e 245 mil empregos formais desde o início da gestão Milei.
- A taxa de pobreza subiu para 32,3% no primeiro semestre de 2026.
- A inflação anual recuou para 33,5% em agosto de 2026, mas com impacto negativo na indústria e no consumo.
- A equipe de Flávio Bolsonaro mantém propostas de desregulamentação inspiradas no modelo argentino.
Fonte: Revista Fórum

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