Padre ligado a inquérito golpista questiona orientações políticas de bispos
O sacerdote José Eduardo de Oliveira e Silva, da Diocese de Osasco, utilizou as redes sociais para criticar recomendações de voto feitas por membros do clero católico durante o período eleitoral.

Foto: Padre José Eduardo de Oliveira e Silva. Foto: Reprodução · Original e licença
O pároco José Eduardo de Oliveira e Silva, da Diocese de Osasco, manifestou-se publicamente nesta sexta-feira (23) para contestar a autoridade de religiosos em determinar o voto de fiéis. Em publicação nas redes sociais, o sacerdote defendeu que nenhum membro da hierarquia católica, seja padre ou bispo, possui legitimidade para exigir que católicos apoiem candidatos identificados como comunistas.
A declaração do religioso ocorre em um cenário de movimentações políticas dentro da Igreja. Recentemente, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu um comunicado reforçando o compromisso com a Constituição e o Estado Democrático de Direito. Paralelamente, ganhou circulação uma carta assinada por um grupo de bispos que sugere aos eleitores que evitem o voto em Flávio Bolsonaro (PL). Embora não tenha mencionado diretamente esses documentos, o padre utilizou argumentos baseados no Catecismo sobre a liberdade de consciência e citou uma encíclica do papa Pio XI, de 1937, para classificar o comunismo como intrinsecamente perverso.
José Eduardo é uma figura conhecida no meio conservador por sua atuação contra o aborto e pautas progressistas. Em novembro de 2024, ele foi alvo de um indiciamento pela Polícia Federal, que investigava sua suposta participação no núcleo jurídico de uma articulação golpista voltada à manutenção de Jair Bolsonaro no poder. O padre sempre negou qualquer prática criminosa, sustentando que suas interações com autoridades restringiam-se ao aconselhamento espiritual. O inquérito foi encerrado em março de 2026 pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após a Procuradoria-Geral da República optar por não oferecer denúncia.
Em resumo: - O padre José Eduardo de Oliveira e Silva declarou que bispos não podem impor escolhas eleitorais aos fiéis. - A fala surge após a CNBB defender a democracia e a circulação de uma carta contrária à candidatura de Flávio Bolsonaro. - O sacerdote foi investigado por suposta trama golpista, mas o processo foi arquivado pelo STF em março de 2026.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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