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O custo da privatização: como a gestão privada ameaça a essência do SUS

Relatos de órgãos públicos e conselhos de saúde apontam que a transferência da gestão do SUS para o setor privado precariza o atendimento e reduz o controle social.

Foto: - Imagem Ilustrativa - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil · Original e licença

A crescente entrega da gestão de unidades de saúde para Organizações Sociais (OSs) e a expansão do modelo privatizante no Sistema Único de Saúde (SUS) têm gerado alertas severos de especialistas e conselhos de saúde. O debate central gira em torno da ameaça aos pilares constitucionais de universalidade e equidade, com evidências de que a lógica de mercado prioriza o lucro em detrimento da qualidade do atendimento à população.

Em outubro de 2025, uma escuta pública conduzida pelo Ministério Público Federal no Pará expôs um cenário preocupante: a privatização tem servido como pretexto para o sucateamento deliberado de unidades públicas. Servidores denunciaram a falta crônica de insumos básicos e escalas de trabalho incompletas. Em locais geridos por entidades privadas, foram registrados episódios graves, como a oferta de alimentos impróprios para consumo e o não pagamento de direitos trabalhistas.

O Conselho Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul (CES/RS) reforça que a busca pela redução de custos financeiros impacta diretamente o tempo de consulta e fragiliza o vínculo entre profissionais e pacientes. Além disso, a gestão privada impõe barreiras à transparência. Em janeiro de 2026, a decisão unilateral de empresas de encerrar contratos de terceirização na Atenção Básica em Porto Alegre evidenciou a vulnerabilidade do sistema, que fica refém de interesses empresariais.

Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) revelam um paradoxo no financiamento da saúde brasileira: enquanto o setor privado acumulou um lucro líquido superior a R$ 11 bilhões em 2024, a rede pública enfrenta um subfinanciamento crônico. Para movimentos sociais e conselhos, a solução para o SUS não reside na entrega ao mercado, mas no fortalecimento do investimento público e na valorização dos profissionais da área.

Em resumo

  • A gestão privada no SUS é associada à precarização do atendimento e à falta de insumos básicos.
  • A terceirização dificulta o controle social e a transparência sobre os gastos públicos.
  • O setor privado de saúde registrou lucro superior a R$ 11 bilhões em 2024, enquanto a rede pública sofre com subfinanciamento.
  • Decisões unilaterais de empresas privadas colocam em risco a continuidade de serviços essenciais à população.

Fonte: Revista Fórum

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