Debate final na Globo: Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações e relembram tragédias
O último encontro entre os presidenciáveis antes do segundo turno foi marcado por ataques pessoais, o resgate de casos criminais e o debate sobre o futuro do país.

Foto: O senador e candidato à presidência da república Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente da república e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), antes do início do debate presidencial nos estúdios da TV Globo, na zona sudoeste do Rio de Janeiro - Eduardo Anizelli/Folhapress · Original e licença
O confronto derradeiro entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, realizado na TV Globo nesta sexta-feira (23), elevou o tom da campanha eleitoral. Sob a mediação de César Tralli, o debate foi pautado por trocas de ofensas, questionamentos sobre o passado dos candidatos e a presença de temas sensíveis que marcaram a trajetória de ambos.
Um dos momentos mais dramáticos ocorreu quando o presidente Lula mencionou a morte de Ana Clara, uma criança de cinco anos atingida por um disparo de fuzil em 2021. A mãe da menina acompanhava o programa no estúdio. O senador Flávio Bolsonaro, que atuou na defesa do policial militar acusado pelo homicídio, dirigiu-se à mãe da vítima para expressar solidariedade, embora tenha reafirmado sua convicção na inocência do agente. Lula aproveitou a oportunidade para vincular o adversário a discursos antigos que, segundo o petista, minimizavam a atuação de milícias no Rio de Janeiro.
O clima de hostilidade também se manifestou em ataques sobre a integridade física e a conduta dos candidatos. Após Flávio pedir desculpas por comentários anteriores sobre a mão de Lula, o presidente rebateu lembrando o acidente de trabalho que sofreu na juventude. Durante o embate, o petista rotulou o senador como miliciano, acusação que o parlamentar negou veementemente, prometendo combater grupos criminosos caso eleito.
A economia e a ética também foram eixos centrais. Os candidatos discutiram o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro e o papel do banqueiro Daniel Vorcaro, com ambos trocando acusações de favorecimento e ligações obscuras. Enquanto Flávio focou no endividamento das famílias e na promessa de reajustes salariais, Lula questionou a origem do patrimônio do senador e a gestão da pandemia pelo governo anterior.
Com o Datafolha indicando um empate técnico de 50% dos votos válidos para cada lado, o debate serviu como a última cartada para conquistar o eleitorado indeciso. Enquanto o senador prometeu medidas duras contra o crime organizado, como a castração química para estupradores, Lula defendeu a criação de um Ministério da Segurança Pública e o fortalecimento das instituições federais.
Em resumo: - O debate foi marcado por ataques pessoais, incluindo a menção ao caso da menina Ana Clara e o uso de termos como miliciano. - Flávio Bolsonaro pediu desculpas por falas sobre a deficiência física de Lula, que rebateu citando seu histórico de trabalhador. - Candidatos trocaram acusações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento de produções audiovisuais. - Com empate técnico nas pesquisas, os presidenciáveis apresentaram visões opostas sobre segurança pública e economia.
Fonte: Folha de S.Paulo

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