Política · Justiça

Supremo adota cautela estratégica diante de nova correlação de forças no Senado

Após um primeiro turno de alta exposição, o STF busca discrição na reta final das eleições, pressionado pelo avanço de senadores que defendem o impeachment de ministros da Corte.

Foto: Plenário do STF Crédito: Rosinei Coutinho/STF · Original e licença

O Supremo Tribunal Federal tem buscado uma atuação mais contida na fase decisiva da disputa presidencial. A mudança de tom ocorre em um momento de tensão institucional, motivada pela eleição de um Senado com 49 parlamentares que se posicionam a favor do afastamento de ministros, um contingente que se aproxima dos 54 votos necessários para viabilizar um processo de impeachment. A pauta, que nunca foi concretizada na história republicana, é tratada por esse grupo como prioridade para o início de 2027.

Nos bastidores, a percepção entre os magistrados é de que o protagonismo excessivo do tribunal no primeiro turno acabou gerando um efeito reverso. A avaliação é de que a Corte se tornou um alvo político desnecessário, o que levou a uma reorientação de conduta. Até mesmo o PT, que recorria frequentemente ao STF na etapa inicial, mudou o curso de suas ações jurídicas, passando a concentrar seus pedidos no Tribunal Superior Eleitoral para evitar o desgaste associado à imagem dos ministros do Supremo.

O cientista político Renato Perissinotto, da UFPR, aponta que o desgaste da instituição foi potencializado por denúncias envolvendo o Banco Master, que expuseram conexões entre o controlador da instituição e membros da Corte. Para o especialista, a estratégia atual do tribunal parece ser a de reduzir ao máximo sua visibilidade pública. Já o professor Oscar Vilhena, da FGV Direito SP, defende que o distanciamento é prudente, mas ressalta a necessidade de o Judiciário migrar para um modelo de decisões mais colegiadas e menos monocráticas, visando reduzir a insegurança jurídica.

Apesar da tentativa de recuo, o tribunal mantém o ritmo de investigações sensíveis. Na última sexta-feira, o ministro Alexandre de Moraes ordenou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens do advogado Willer Thomaz, alvo de apurações da Polícia Federal sobre lavagem de dinheiro e supostas ligações com o candidato Flávio Bolsonaro. O episódio reforça que, mesmo sob pressão política, o STF não interrompeu o curso de processos que envolvem figuras centrais do cenário eleitoral.

Em resumo: - O STF adotou uma postura mais discreta no segundo turno para evitar conflitos com o novo Senado. - Cerca de 49 senadores eleitos defendem o impeachment de ministros, pressionando a estabilidade da Corte. - O PT alterou sua estratégia jurídica, priorizando o TSE em vez do STF. - Alexandre de Moraes bloqueou R$ 6 bilhões de um investigado ligado a Flávio Bolsonaro.

Fonte: Brasil 247

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