Especialista aponta vazio de propostas na economia de Flávio Bolsonaro
Pesquisadora da UFRRJ analisa os riscos do programa econômico da extrema direita e os desafios de inserção internacional do Brasil no segundo turno.

Foto: Flávio Bolsonaro Crédito: Reprodução/JN · Original e licença
Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para este domingo (25), a professora de Relações Internacionais Ana Garcia, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), fez um alerta sobre o projeto econômico de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a pesquisadora, o candidato apresenta um "programa vazio de propostas", que aposta em privatizações e desregulamentação sem oferecer soluções concretas para o custo de vida das famílias brasileiras.
Para Garcia, a direita conseguiu capitalizar o descontentamento popular ao focar na percepção imediata de dificuldades, como o endividamento e a inflação dos alimentos, enquanto a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) priorizou indicadores macroeconômicos. A especialista ressalta que, embora o governo atual tenha resultados positivos, como o baixo desemprego, a sensação de bem-estar ainda não chegou à mesa da população, o que exige uma estratégia de reindustrialização e proteção social mais robusta.
No campo da política externa, a pesquisadora aponta uma contradição central: o alinhamento ideológico com os Estados Unidos defendido pela extrema direita colide com a realidade comercial do país. "É impossível que o Brasil renuncie às suas relações com a China", afirma Garcia, destacando que setores estratégicos que apoiam o bolsonarismo, como o agronegócio e a mineração, dependem fortemente do mercado chinês.
Sobre o futuro do país, a professora defende que o Brasil precisa de uma estratégia nacional clara para negociar investimentos estrangeiros, priorizando a sustentabilidade e a tecnologia. Ela avalia que, independentemente do vencedor, o próximo governo enfrentará o desafio de equilibrar a pressão americana com a necessidade de manter parcerias globais estratégicas, como o BRICS.
Em resumo
- Ana Garcia critica a falta de medidas concretas no programa econômico de Flávio Bolsonaro.
- A pesquisadora aponta que o endividamento das famílias distanciou a população dos indicadores macroeconômicos positivos do governo Lula.
- A dependência comercial do Brasil com a China impõe limites reais a um eventual alinhamento automático com os Estados Unidos.
- A reindustrialização sustentável e a proteção aos trabalhadores são apontadas como caminhos necessários para o desenvolvimento nacional.
Fonte: Brasil 247

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