Reta final: bolsonarismo aposta em intolerância religiosa para inflamar base eleitoral
Estratégia de desinformação utiliza rituais afro-brasileiros fora de contexto para criar pânico moral e atacar adversários políticos antes do segundo turno.

Foto: Flávio Bolsonaro Crédito: REUTERS/Brian Snyder · Original e licença
Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, figuras ligadas ao Partido Liberal (PL) intensificaram uma ofensiva digital baseada na manipulação de símbolos religiosos. Segundo reportagem da teleSUR, a estratégia consiste em descontextualizar rituais de matriz africana e indígena para alimentar uma narrativa de "batalha espiritual", apresentando o candidato Flávio Bolsonaro como alvo de supostos ataques sobrenaturais.
Um monitoramento conjunto da Casa Galileia e do Instituto Democracia em Xeque revelou que influenciadores, pastores e parlamentares têm compartilhado vídeos de manifestações culturais como se fossem cerimônias voltadas a causar danos físicos ou a morte de lideranças políticas. Entre os casos citados, a influenciadora Bella Falconi e perfis associados ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) foram apontados por disseminar conteúdos que associam rituais a ameaças, instigando seguidores sob o pretexto de combater uma "ameaça sobrenatural".
A agência de checagem Coletivo Bereia desmentiu as alegações, confirmando a ausência de qualquer evidência de rituais com fins de violência. A pesquisadora Carolina Rocha, do Instituto de Estudos da Religião (ISER), explicou que termos como "amarrar o inimigo", utilizados em tradições como a Jurema, referem-se estritamente à proteção e ao afastamento de forças nocivas. "Existe uma diferença abismal entre recorrer à espiritualidade para autoproteção e desejar a violência", afirmou a especialista.
O cenário de polarização ocorre enquanto o país se prepara para a votação deste domingo, 25 de outubro. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro registrou 47,03% dos votos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva obteve 45,16%. Analistas alertam que o uso recorrente do racismo religioso como tática eleitoral, prática já observada em pleitos anteriores, eleva o risco de intolerância contra minorias religiosas no Brasil.
Em resumo
- Aliados de Flávio Bolsonaro utilizam vídeos descontextualizados de rituais afro-brasileiros para criar pânico moral.
- Especialistas e agências de checagem confirmam que as práticas religiosas citadas são de proteção e não possuem caráter violento.
- A estratégia busca consolidar o voto religioso através do medo, aumentando a tensão social na reta final da disputa presidencial.
Fonte: Brasil 247

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