Documentos revelam operação secreta de assessores de Trump para eleger Flávio Bolsonaro
Investigação aponta que funcionários do Departamento de Estado dos EUA articularam sanções e medidas punitivas contra o Brasil para favorecer o clã Bolsonaro.

Foto: Ato de campanha de Flávio Bolsonaro Crédito: Vittor Sales/Campanha FB/Divulgação · Original e licença
Uma operação articulada por dois assessores de alto escalão do Departamento de Estado dos Estados Unidos buscou, nos últimos meses, interferir diretamente no processo eleitoral brasileiro para devolver o poder à família Bolsonaro. Segundo apuração da agência Reuters, que ouviu dez funcionários e ex-funcionários americanos, Darren Beattie e Ricardo Pita lideraram uma campanha de pressão política e econômica contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O plano, que ganha contornos de escândalo internacional às vésperas do segundo turno deste domingo (25), envolveu a imposição de sanções e medidas punitivas desenhadas para desgastar a gestão petista. Beattie, assessor sênior para Assuntos do Hemisfério Ocidental, e Pita, secretário-assistente adjunto para a América do Norte, teriam orientado diplomatas americanos a ignorar outros nomes da direita e focar exclusivamente na candidatura de Flávio Bolsonaro, após a condenação de seu pai, Jair Bolsonaro, a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado em 2025.
A estratégia incluiu ações agressivas, como a classificação de facções criminosas brasileiras como grupos terroristas e a aplicação de sanções da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A ofensiva, contudo, enfrentou reveses: as sanções contra o magistrado foram retiradas em dezembro de 2025, e a tentativa de usar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros acabou gerando efeito contrário, fortalecendo a popularidade de Lula diante da reação de setores empresariais.
Embora a Casa Branca tenha se recusado a comentar as diretrizes específicas, a ex-chefe do escritório do Departamento de Estado para o Brasil, Orna Blum, classificou a atuação como uma clara intervenção política. Para ela, ao utilizar instrumentos de política externa para pressionar o destino jurídico de um aliado, Washington ultrapassou a linha da diplomacia.
Em resumo
- Assessores de Trump teriam orquestrado sanções contra o Brasil para favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro.
- A operação incluiu a classificação do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas e ataques ao STF.
- Medidas econômicas, como tarifas de 50%, foram revertidas após pressão de grandes empresas e falha na estratégia de enfraquecer o governo Lula.
Fonte: Brasil 247

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