Governo Milei ignora vitória de Lula e justifica silêncio com alegação falsa
Porta-voz do governo argentino afirma que não haverá reconhecimento oficial da vitória de Lula, citando suposta falta de cortesia do petista em 2023.

Foto: O presidente argentino, Javier Milei, fala ao lado do senador brasileiro Flávio Bolsonaro em São Paulo - Jean Carniel - 25.jul.2026/Reuters · Original e licença
O governo da Argentina, sob o comando de Javier Milei, confirmou nesta terça-feira (27) que não emitirá qualquer comunicado oficial sobre a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições brasileiras. Em entrevista coletiva na Casa Rosada, o porta-voz Adrian Ravier afirmou que o governo apenas tomou nota do resultado, justificando a postura como uma resposta à ausência de um cumprimento pessoal de Lula a Milei em 2023.
A justificativa apresentada pelo porta-voz ignora, contudo, o histórico diplomático. Em novembro de 2023, logo após a eleição do ultraliberal, o presidente Lula divulgou nota oficial reconhecendo o resultado e desejando êxito ao novo governo argentino, em um gesto de respeito às instituições democráticas do país vizinho.
Ao ser questionado sobre os impactos dessa decisão nas relações bilaterais, Ravier garantiu que o comércio entre as nações seguirá normalmente. O porta-voz afirmou que o presidente argentino "não é um hipócrita" e que a postura reflete uma divergência ideológica profunda entre os dois mandatários.
A relação entre Brasília e Buenos Aires atravessa um momento de tensão sem precedentes. Em julho deste ano, Milei esteve em São Paulo para apoiar a campanha de Flávio Bolsonaro, ocasião em que proferiu ataques diretos a Lula e ao ministro do STF, Alexandre de Moraes. Como resposta à escalada de ofensas, o Itamaraty rebaixou o nível das relações diplomáticas, mantendo o embaixador brasileiro Julio Bitelli no Brasil e dispensando o representante argentino Daniel Raimondi.
Em resumo
- O governo Milei se recusa a reconhecer a vitória de Lula, alegando falsamente que não houve cumprimento recíproco em 2023.
- A Argentina sustenta que as relações comerciais entre os dois países não serão afetadas pela crise política.
- O Brasil mantém o rebaixamento das relações diplomáticas após uma série de ataques públicos de Milei contra o governo brasileiro.
Fonte: Folha de S.Paulo

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