Para Giannetti, mercado exagera em reação pós-eleição e Lula deve retomar fórmula de 2002
Economista Eduardo Giannetti avalia que turbulência financeira é passageira e sugere ajuste fiscal de até 2,5% do PIB para garantir estabilidade e políticas sociais.

Foto: Eduardo Giannetti da Fonseca Crédito: ASCOM · Original e licença
O economista Eduardo Giannetti classificou como excessiva a reação negativa do mercado financeiro após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o especialista defendeu que o governo utilize os primeiros três meses do novo mandato para consolidar um programa de ajuste fiscal, sugerindo que a estratégia adotada no primeiro governo Lula, em 2002, sirva como referência para o cenário atual.
Segundo Giannetti, a volatilidade observada no pregão de segunda-feira (26) reflete uma frustração de expectativas de parte dos investidores, que apostavam em uma política de cortes de gastos mais severa por parte do candidato derrotado, Flávio Bolsonaro. O economista pontuou que o mercado financeiro operava sob a premissa de que as promessas de campanha de Bolsonaro seriam ignoradas após o pleito, o que ele descreveu como um reconhecimento de estelionato eleitoral.
Para estabilizar a dívida pública, Giannetti estima a necessidade de um ajuste fiscal entre 2% e 2,5% do PIB. Ele ressaltou que a responsabilidade fiscal não deve ser vista como um obstáculo às políticas sociais, mas como um pilar para torná-las sustentáveis. O economista destacou que o Brasil possui vantagens competitivas, como a oferta de energia renovável e recursos estratégicos, e observou que investidores estrangeiros demonstram maior otimismo com o país do que o mercado financeiro local.
Em resumo
- Giannetti defende um ajuste fiscal de 2% a 2,5% do PIB para estabilizar a dívida.
- O economista sugere que Lula repita a estratégia de responsabilidade fiscal do primeiro mandato.
- A reação do mercado é vista como uma frustração de expectativas sobre o candidato derrotado.
- Investidores estrangeiros estão mais otimistas com o Brasil do que o mercado interno.
Fonte: Brasil 247

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